segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Parada, feriado e tropa de elite

Neste domingo, 14 de outubro, foi realizada a 12a Parada do Orgulho Gay do Rio de Janeiro. Transferida diversas vezes, a data foi escolhida porque, segundo os organizadores, dentre outros motivos, atrairia mais participantes.
Não foi bem assim. Era visível que o número de participantes caíra.
Vamos creditar este fato a um erro de cálculo dos organizadores, mas de qualquer forma temos mais uma vez a desagradável guerra de números. Segundo a subprefeitura de Copacabana e os organizadores foram 1,200 milhão pessoas. Já a Polícia Militar, responsável por liberar os números oficiais, estimou o público em 500 mil pessoas, nas palavras do tenente-coronel Ricardo Pacheco, comandante do 19o Batalhão da PM, segundo informação publicada no jornal O Globo, de 15/10/2007, nesta segunda-feira. Os números são tão discrepantes que chocam.
A Parada do Rio ganhou também um caráter político às avessas. Tornou-se palanque de políticos do Partido dos Trabalhadores e de partidos aliados. Estavam lá para, digamos, emprestar o seu apoio a nós homossexuais, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ); o secretário estadual Carlos Minc (PT-RJ), do Meio Ambiente; a deputada federal Cida Diogo (PT-RJ); as senadoras Ideli Salvatti (PT-SC) e Fátima Cleide (PT-RO); o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti; e, por fim, a ministra adjunta da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres, do governo federal, Teresa Sousa.
A única legenda não ligada ao governo federal presente no evento foi o DEM (ex-PFL). Estava lá o secretário municipal Marcelo Garcia, de Assistência Social, que representava o alcaide da cidade maravilhosa, sr. Cesar Maia (DEM-RJ).
É óbvio que estes políticos sempre apoiaram as reivindicações que fizemos. Contudo, é no mínimo curiosa a presença maciça deles neste evento.
Em que pese este atrelamento da Parada Gay do Rio à política nacional, espero que não tenhamos mensalões ou bois voando no cenário GLBTT carioca e nem pessoas negociando nossos votos para conseguir um lugarzinho ao sol na política tupiniquim.

domingo, 14 de outubro de 2007

YA BASTA!!!

Cheguei da Parada Gay aqui no Rio, e fui ligar para duas amigas, porque uma delas teve seu celular roubado enquanto caminhávamos justamente na Parada.
Ela estava mais tranqüila, porque conseguira bloquear o aparelho. Mas tirando o aborrecimento, ela disse que se já vinha pouco ao Rio (embora cariocas, moram fora da cidade), agora mesmo é que não viria mais. E me questionou como poderíamos achar natural viver em sobressalto, sempre esperando um assalto ou um roubo. Ela chamou isto de lavagem cerebral, porque achamos normal vivermos assim.
Não estiquei o assunto, porque estava no celular e tenho uma certa preguiça em falar nele, mas o que ela me disse, calou fundo.
Há um mês, fiz um desabafo semelhante a outra amiga, reclamando de que eu já estava de saco cheio desta mentalidade mesquinha e tacanha que a sociedade brasileira mergulhou; desta política burra em que estamos atolados e do fato da minha profissão, na realidade o meu ofício, estar tão vilipendiada justamente por quem deveria mais brigar por ela: nós mesmos, os jornalistas.
Tenho sentido um certo enfado do Brasil muito grande, do Rio de Janeiro, minha cidade de nascimento e alma, principalmente. É, no popular, uma gigantesca falta de saco. Falta de saco para aturar as populares "espertezas", que são na realidade o cúmulo da falta de respeito e de educação. E que, se você não entrar no esquema, passa por idiota, otária ou a "metida a certinha". Estou sinceramente cansada disso.
Não pensem que eu acho que a melhor saída seja o aeroporto, embora tenha muita vontade de passar uma temporada fora da Terra Brasilis, aprendendo, vivendo outra vida, conhecendo mais e mais pessoas. Mas, penso que fica cada vez mais inviável vivermos esta realidade tão fake como uma nota de dois dólares. Isto cansa, desgasta, irrita, faz a gente perder o tesão em continuar aqui, faz a gente pensar em deixar a luta.
Parodiando os zapatistas, da vontade de gritar a plenos pulmões: Ya basta!!!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O mundo lá fora

Como se não bastasse ler no New York Times (NYT), de hoje (25/09), que o presidente de honra do meu partido (o PT) e presidente da República (dos Bananas) acha que não vê nenhuma prova contra o sr. José Dirceu, outra notícia vem da terra do Tio Sam – aliás, uma piada.
O presidente do Irã, aquela nação que executa homossexuais, sr. Mahmoud Ahmadinejad disse que em seu país não existiam homossexuais como nos EUA. Ele estava respondendo a uma pergunta de um estudante da Universidade Columbia (NY), onde fora convidado a dar uma palestra.
Bem, a galera caiu na gargalhada, alguns até vaiaram. Mas, pode até parecer que não dá pra levar um cara desses a sério, mas é bom não brincar com quem planeja ter uma bomba atômica e trata os homossexuais como lixo.
Acho que ele foi explícito em sua resposta: “não há homossexuais, porque nós os eliminamos” – foi exatamente isto o que ele quis dizer, sem meias palavras ocidentais e nem entrelinhas.
Por outro lado, o reitor da Universidade, Lee Bollinger, também foi de uma grosseria ímpar. Convidou o cara e tascou no discurso de abertura e apresentação do indivíduo agressões desnecessárias. Chamou-o de “ditador insignificante e cruel”.
Disse que, ao negar o Holocausto, Ahmadinejad age de forma "audaciosamente provocativa ou chocantemente ignorante". "Sinto o peso do mundo civilizado moderno desejoso de expressar repugnância àquilo que o senhor defende", disse Bollinger, que foi quase ovacionado.
Sinceramente, se o cara é um boçal, um ditador insignificante, por que foi convidado pra falar lá? Isto também foi uma ofensa a inteligência dos mortais lá presentes. Nós, ocidentais, sabemos ser extremamente grosseiros quando queremos.
Mas, o presidente do Irã não deixar passar em branco e acabou dando uma bofetada com luvas de pelica, como diria minha avó. Falou de cara: "Muitas partes do discurso dele foram insultos. Na verdade, respeitamos nossos estudantes e professores permitindo que eles façam seus próprios julgamentos". Nós, ocidentais, civilizados, que mantemos a imagem de respeitarmos os direitos humanos e os homossexuais, poderíamos dormir sem essa, vinda de um “ditador insignificante e cruel”.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A mensagem da Laura

Gente,
Eis aqui o comentário da escritora Laura Bacellar:
"muito bom o seu blog, Graça, achei seus comentários muito interessantes.bjo, Laura"
Tão vendo como este blog tá ficando chic? rs

terça-feira, 18 de setembro de 2007

ZÉLIA DUNCAN PARA MAIORES

Uma notícia publicada no GAY1 sobre a Parada Gay de Recife fez a minha alegria: o show de encerramento do evento foi com a cantora Zélia Duncan.
A notícia pode ter passado batida para muita gente, mas para mim representou um passo importante ao mostrar mais uma artista que adere às Paradas, considerando um movimento legítimo em que buscamos lutar por nossos direitos.
Muitos artistas não querem fazer shows em Paradas Gays por acharem que seus nomes e imagens ficarão associados aos homossexuais, fazendo com que muitos fãs e a própria mídia pensem que eles se limitam a um determinado público ou que estão "assumindo" uma suposta homossexualidade. Sem falar no velho discurso de algumas "celebs" de que não gostam de "levantar bandeiras".
Felizmente, isto está mudando. Marina Lima, Fernandinha Abreu, Preta Gil, Antonio Grassi e alguns poucos (por enquanto) compreendem que as Paradas, tirando o lado festeiro, também são um movimento político contra a discriminação e a necessidade de reconhecimento de milhões de pessoas que não são consideradas sequer cidadãos em seus direitos mais elementares.
Bem vinda, Zélia Duncan!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Bombas de ódio

Há dois anos e meio (precisamente, em janeiro de 2005), escrevi em minha coluna do GLSPLANET (Tôpassad@ - www.glsplanet.com/topassad@) um artigo em que falava sobre uma notícia publicada no portal, no dia 14 de janeiro daquele ano, de que o Pentágono havia tentado fabricar uma bomba que transformaria todo soldado inimigo em gay.
A fórmula dos cientistas do Pentágono previa que a bomba "provocasse um torpor afrodisíaco para quem inalasse o vapor da bomba, o que faria com que os soldados inimigos tivessem uma atração irresistível uns pelos outros", e assim ficassem fracos, sendo logo dominados.
Em meu artigo, eu debochei da idéia, achando-a estapafúrdia, para ser bem amigável. A notícia veio à tona, um ano depois mais uma vez na imprensa e muita gente levou na gozação.
Ontem (sábado, 08/09), passeando pela Internet, descobri uma notícia em um blog de um correspondente nos Estados Unidos do jornal O Globo, que falava sobre uma suposta droga química, inventada pelos russos, que transformava os soldados inimigos em zumbis. O jornalista também achou a idéia ridícula e levou na gozação.
Contudo, para minha surpresa, descobri um artigo na Le Monde Diplomatique (agosto/2007), que fala justamente sobre isto e que de delírio não tem nada. O titulo: "Medicamentos como armas de guerra". Lá diz que a Associação Médica Britânica (AMB) acaba de publicar o seu terceiro relatório sobre o "uso de drogas como armas". Resumindo, o artigo fala da "militarização da biologia", com suas implicações na medicina e na indústria farmacêutica.
Extraio aqui algns trechos. O primeiro é sobre o que poderá ser usado: "Este uso maligno das neurociências pode não ficar restrito apenas aos opononentes do Estado. No Iraque, vimos as forças aliadas dos Estados Unidos utilizarem drogas para acentuar o estado de alerta de seus soldados. Em um futuro próximo, de acordo com Wheelis e Dando, poderemos presenciar tropas indo para ação com sua agressividade e sua resistência ao medo, à dor e ao cansaço quimicamente aumentadas. E até mesmo tendo suas lembranças desagradáveis removidas pela farmacologia militar."
Mais adiante, há uma referência ao episódio daquele ataque terrorista que ocorreu em um teatro de Moscou (Rússia), debelado pelas Forças Especiais Russas, no qual morreram 130 dos 900 reféns. Ali foram utilizadas as chamadas "armas químicas não letais", mas que se mostraram mortais. As investigações foram abafadas e dos sobreviventes, 174 já morreram e há vários casos de invalidez permanente. Tudo muito bem abafado, mas quem quiser saber mais, pode consultar o sítio www.pravdabeslana.ru/nordost/dokleng.doc (versão em inglês reduzida). Em tempo, "pravda" quer dizer "verdade" em russo.
Outro trecho do artigo que eu destaco é este: "Sabemos que pesquisadores militares estáo estudando as propriedades da endotelina - uma cadeia de 21 aminoácidos, similar em estrutura a certos venenos de cobra - e toda uma nova classe de biorreguladores, com efeitos potenciais sobre o sistema circulatório. Entre outros compostos em análise está a chamada "substância P", uma taquiquinina que pode provocar intensa broncoconstrição."
"Outros riscos em discussão referem-se a compostos bioquímicos que podem induzir doenças de aparecimento tardio, como câncer do fígado, propiciando atos de genocídio retardados por talvez vinte anos."
O artigo é para lá de instigante, que nos faz pensar e muito. Eu e o correspondente d'O Globo, creio que por total desinformação e também por não acreditarmos que idéias idiotas como estas poderiam ser levadas a sério, simplesmente quebramos a cara.
"E o horror continua. O Sunshine Project (www.sunshine-project.org/incapacitants/jnlwdpdf/), dos Estados Unidos, revelou documentação de uma pesquisa norte-americana direcionada para utilizar a mudanção de orientação sexual como tática de luta. Como o mundo reagirá se um Estado militarizado decidir alterar a química do cérebro feminino para produzir civis hormonalmente receptivas ao estupro militar em massa?".
Isto já é uma realidade. Pessoas já estão morrendo por conta destas maluquices. A famosa "bomba gay" pode não ser tão delírio assim. O que a AMB está fazendo é levantar questões éticas cruciais, que meio mundo nem sequer sabe que existem, mas que podem tornar este planeta um pouco pior do que já está.

Músicas

Na minha memória afetiva, aqui deixo uma música do Fito Paes, gravada pela Mercedes Sosa em 1995. E a seguir, uma do Neil Young, chamada Philadelphia (a do filme).

YO VENGO OFRECER MI CORAZÓN

Quién digo que todo está perdido
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Tanta sangre que se llevó el rio
Yo vengo a ofrecer mi corazón

No será tan fácil, ya sé que pasa
No será tan simple como pensaba
Como abrir el pecho y sacar el alma
Una cuchillada de amor

Luna de los pobres siempre abierta
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Como un documento inalterable
Yo vengo a ofrecer mi corazón

Y uniré las puntas de un mismo lazo
Y me iré tranquila, me iré despacio
Y te daré todo y me darás algo
Algo que me alivie un poco más

Cuando no haya nadie cerca o lejos
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Cuando los satélites no alcacen
Yo vengo a ofrecer mi corazón

Y hablo de países y de esperanzas
Hablo por la vida, hablo por la nada
Hablo de cambiar esta nuestra casa
De cambiarla por cambiar nomás

Quien dijo que todo está perdido
Yo vengo a ofrecer mi corazón


PHILADELPHIA

Philadelphia
Sometimes I think that I know
What love's all about,
And when I see the light
I know I'll be all right.

I've got my friends in the world,
I had my friends,
When we were boys and girls
And the secrets came unfurled.

City of brotherly love,
Place I call home,
Don't turn your back on me.
I don't want to be alone,
Love lasts forever.

Someone is talking to me.
Calling my name.
Tell me I'm not to blame,
I won't be ashamed of love.
Philadelphia

City of brotherly love,
Brotherly love

Sometimes I think that I know
What love's all about,
And when I see the light
I know I'll be all right.
Philadelphia