segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Bombas de ódio

Há dois anos e meio (precisamente, em janeiro de 2005), escrevi em minha coluna do GLSPLANET (Tôpassad@ - www.glsplanet.com/topassad@) um artigo em que falava sobre uma notícia publicada no portal, no dia 14 de janeiro daquele ano, de que o Pentágono havia tentado fabricar uma bomba que transformaria todo soldado inimigo em gay.
A fórmula dos cientistas do Pentágono previa que a bomba "provocasse um torpor afrodisíaco para quem inalasse o vapor da bomba, o que faria com que os soldados inimigos tivessem uma atração irresistível uns pelos outros", e assim ficassem fracos, sendo logo dominados.
Em meu artigo, eu debochei da idéia, achando-a estapafúrdia, para ser bem amigável. A notícia veio à tona, um ano depois mais uma vez na imprensa e muita gente levou na gozação.
Ontem (sábado, 08/09), passeando pela Internet, descobri uma notícia em um blog de um correspondente nos Estados Unidos do jornal O Globo, que falava sobre uma suposta droga química, inventada pelos russos, que transformava os soldados inimigos em zumbis. O jornalista também achou a idéia ridícula e levou na gozação.
Contudo, para minha surpresa, descobri um artigo na Le Monde Diplomatique (agosto/2007), que fala justamente sobre isto e que de delírio não tem nada. O titulo: "Medicamentos como armas de guerra". Lá diz que a Associação Médica Britânica (AMB) acaba de publicar o seu terceiro relatório sobre o "uso de drogas como armas". Resumindo, o artigo fala da "militarização da biologia", com suas implicações na medicina e na indústria farmacêutica.
Extraio aqui algns trechos. O primeiro é sobre o que poderá ser usado: "Este uso maligno das neurociências pode não ficar restrito apenas aos opononentes do Estado. No Iraque, vimos as forças aliadas dos Estados Unidos utilizarem drogas para acentuar o estado de alerta de seus soldados. Em um futuro próximo, de acordo com Wheelis e Dando, poderemos presenciar tropas indo para ação com sua agressividade e sua resistência ao medo, à dor e ao cansaço quimicamente aumentadas. E até mesmo tendo suas lembranças desagradáveis removidas pela farmacologia militar."
Mais adiante, há uma referência ao episódio daquele ataque terrorista que ocorreu em um teatro de Moscou (Rússia), debelado pelas Forças Especiais Russas, no qual morreram 130 dos 900 reféns. Ali foram utilizadas as chamadas "armas químicas não letais", mas que se mostraram mortais. As investigações foram abafadas e dos sobreviventes, 174 já morreram e há vários casos de invalidez permanente. Tudo muito bem abafado, mas quem quiser saber mais, pode consultar o sítio www.pravdabeslana.ru/nordost/dokleng.doc (versão em inglês reduzida). Em tempo, "pravda" quer dizer "verdade" em russo.
Outro trecho do artigo que eu destaco é este: "Sabemos que pesquisadores militares estáo estudando as propriedades da endotelina - uma cadeia de 21 aminoácidos, similar em estrutura a certos venenos de cobra - e toda uma nova classe de biorreguladores, com efeitos potenciais sobre o sistema circulatório. Entre outros compostos em análise está a chamada "substância P", uma taquiquinina que pode provocar intensa broncoconstrição."
"Outros riscos em discussão referem-se a compostos bioquímicos que podem induzir doenças de aparecimento tardio, como câncer do fígado, propiciando atos de genocídio retardados por talvez vinte anos."
O artigo é para lá de instigante, que nos faz pensar e muito. Eu e o correspondente d'O Globo, creio que por total desinformação e também por não acreditarmos que idéias idiotas como estas poderiam ser levadas a sério, simplesmente quebramos a cara.
"E o horror continua. O Sunshine Project (www.sunshine-project.org/incapacitants/jnlwdpdf/), dos Estados Unidos, revelou documentação de uma pesquisa norte-americana direcionada para utilizar a mudanção de orientação sexual como tática de luta. Como o mundo reagirá se um Estado militarizado decidir alterar a química do cérebro feminino para produzir civis hormonalmente receptivas ao estupro militar em massa?".
Isto já é uma realidade. Pessoas já estão morrendo por conta destas maluquices. A famosa "bomba gay" pode não ser tão delírio assim. O que a AMB está fazendo é levantar questões éticas cruciais, que meio mundo nem sequer sabe que existem, mas que podem tornar este planeta um pouco pior do que já está.

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