quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Do vício do cigarro ao vício do celular

Pessoal,
Esta é uma contribuição da Vanda.
Um beijo,
G
Revista Contemporânea -- Carla Rodrigues



Do vício do cigarro ao vício do celular
08-12-2008

Num dia o volume no bolso da camisa era um maço de Marlboro; no dia seguinte, era um Motorola. Um dia a garota bonita, vulnerável por estar desacompanhada, estava ocupando suas mãos, sua boca e sua atenção com um cigarro; no dia seguinte, ocupava-o com uma conversa muito importante com uma pessoa que não era você. Num dia uma multidão se reunia em torno do primeiro adolescente no playground a carregar um maço de cigarros; no dia seguinte, se reunia em volta do primeiro a ostentar uma tela colorida. Num dia, os viajantes acendiam seus isqueiros assim que desciam do avião; no dia seguinte, estavam discando números em seus celulares. Dependências de um maço de cigarros por dia viraram contas mensais de US$ 100. A poluição por fumaça virou poluição sonora.

Desde que li esse texto do Jonathan Franzen no Mais!, me encantei com a comparação entre o cigarro e o celular.

Mas preferi esperar para observar em mim mesma esse comportamento antes de escrever sobre o tema.

De fato, quando chego sozinha a um lugar - seja um bar, um consultório médico ou a uma fila de de banco - saco o celular como já saquei do maço de cigarro. Para me fazer companhia.

Posso simplesmente checar meu email, mesmo sabendo que não há provavelmente nada de importante me esperando na caixa postal, posso jogar paciência enquanto espero na fila ou posso aproveitar o tempo para ligar para alguém.

É verdade que tenho o cuidado de só ligar para alguém se tenho privacidade e tempo para conversar, duas regras básicas da boa educação.

Mas sei que não é sempre assim e sou totalmente consciente de que me tornei viciada em celular.

O texto de Franzen, no entanto, vai além da crítica ao uso do telefone móvel como muleta para a solidão urbana básica e questiona a falta de privacidade, tema recorrente nas diversas críticas que já li sobre o celular.

Trocamos, diz Franzen, a poluição da fumaça do cigarro pela poluição sonora, que nos atormenta com trechos de conversas que invadem nosso espaço sonoro. A menos que você tenha músicas para ouvir no seu telefone e possa, por meio dele, se desconectar do resto do mundo.

Um comentário:

  1. Oi, Graça, o celular é pra lá de útil. mas muitas vezes, em vez de facilitar a comunicação entre as pessoas, gera uma entropia. beijos. Vanda.

    ResponderExcluir

Valeu!