Palavras ao éter É um blog para quem tem atitude perante a vida. Ele foi criado inicialmente por minha amiga Kharla Tavares (POA/RS).
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Não Gosto dos Meninos - COMPLETO HD
Curta indicado pela Laura Bacellar, lá do U&O e da Editora Malagueta.
domingo, 29 de maio de 2011
Gay Parents Bashed
Primetime from ABC News: Gay Parents Bashed
And I say: Don´t judge! (like Jesus, Paramahansa Yogananda, Krishna and all). Graça
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Presente da minha prima de Salvador...
Para Graça, com carinho,
Cristiane
Falar, calar
"Ando cansada de frases, mas elas
são a arma que me resta, a ferramenta
com que nasci, o recurso que o destino
colocou a meu dispor, mesmo quando
as emoções se cansam"
Hoje eu falo de silêncio. Eu, que amo as palavras, hoje fico nos
espaços brancos e nas entrelinhas. Fico ausente, estou ausente embora
de longe siga pelo milagre da tecnologia tudo o que acontece onde me
lêem neste instante.
Ausente-presente como tantas vezes tantas pessoas.
Nas histórias que relato ou invento, hoje não me interessam tanto as
tramas e os personagens: somos todos sombras que andam de um lado para
outro, aparecem e desaparecem em quartos, corredores, jardins. Caem de
escadas, jogam-se no poço, naufragam como rostos ou ratos.
A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. O formato de
uma boca melancólica, ou o baixar de uma pálpebra que esconde o desejo
de morrer ou de matar, ódio ou desamparo, hipocrisia, ah, o olhar
sorrateiro, o estrábico olhar dos mentirosos.
A mim interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Porque o
real está no escondido. Por isso escrevo: para esconjurar o avesso das
coisas e da vida, de onde nos vem o medo, que impulsiona como a
esperança.
Nas relações amorosas, sou fascinada pela fração de segundo, o lapso
mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ter
sido pronunciada se recolhe por pusilanimidade, egoísmo ou
autocompaixão. E a cumplicidade se rompe e a gente se sente sozinha.
O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia
falar, e de palavras quando o melhor teria sido ficar calado: e a
gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não
foram feitos quando o outro tanto precisava.
E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta.
• • •
Tenho falado muito em minha vida, tenho escrito talvez demais.
Nem sempre acerto o tom, nem sempre encontro as palavras,
eventualmente magôo a quem amo e aliso a quem desejava censurar.
Palavras são animais esquivos, ora belos, ora mortais. Ninguém os
domestica de verdade, ninguém consegue fugir ao seu poder. Mas nem
sempre sabemos o poder que elas têm e concedem.
Povos inteiros são iludidos com palavras grandiosas cujo alicerce era
areia movediça; pessoas, famílias, sofrem pela palavra certa que não
veio quando era esperada, ou chegou e estava vazia de conteúdo.
Ainda acredito que o ser humano não é essencialmente burro nem
perverso, e isso inclui governos e autoridades. Mas perturba-me o que
andam fazendo conosco: não temos poder, estamos ameaçados e
desinformados do que se passava e se passa, nossos ouvidos são curtos
para a vastidão dos bastidores com cenários acumulados, tudo falso,
tudo papelão e tinta e meandros que nem sonhamos.
Ando cansada de frases, mas elas são a arma que me resta, a ferramenta
com que nasci, o recurso que o destino colocou a meu dispor, mesmo
quando as emoções se cansam.
Mas não encontro a palavra certa nem o silêncio adequado para falar,
neste momento, nesta folha de papel, longe que estou dos
acontecimentos da terra que escolho todos os dias para viver.
Valem pensamentos?
Pensamentos valem, cheios do desejo de que a gente não seja
descartável, nossa história não se anule e a covardia não impeça a
verdade: aquela por trás das palavras ocas e dos silêncios
sorrateiros.
Que os pensamentos bons e as idéias saudáveis nos levem a dar em
conjunto um grande grito transformador:
Assim a gente não quer mais!!!!!!!!!!!!!
Lya Luft
Cristiane
Falar, calar
"Ando cansada de frases, mas elas
são a arma que me resta, a ferramenta
com que nasci, o recurso que o destino
colocou a meu dispor, mesmo quando
as emoções se cansam"
Hoje eu falo de silêncio. Eu, que amo as palavras, hoje fico nos
espaços brancos e nas entrelinhas. Fico ausente, estou ausente embora
de longe siga pelo milagre da tecnologia tudo o que acontece onde me
lêem neste instante.
Ausente-presente como tantas vezes tantas pessoas.
Nas histórias que relato ou invento, hoje não me interessam tanto as
tramas e os personagens: somos todos sombras que andam de um lado para
outro, aparecem e desaparecem em quartos, corredores, jardins. Caem de
escadas, jogam-se no poço, naufragam como rostos ou ratos.
A mim seduzem palavras e silêncios, e jeitos de olhar. O formato de
uma boca melancólica, ou o baixar de uma pálpebra que esconde o desejo
de morrer ou de matar, ódio ou desamparo, hipocrisia, ah, o olhar
sorrateiro, o estrábico olhar dos mentirosos.
A mim interessam as coisas que normalmente ninguém valoriza. Porque o
real está no escondido. Por isso escrevo: para esconjurar o avesso das
coisas e da vida, de onde nos vem o medo, que impulsiona como a
esperança.
Nas relações amorosas, sou fascinada pela fração de segundo, o lapso
mínimo em que os olhares se desencontram e a palavra que podia ter
sido pronunciada se recolhe por pusilanimidade, egoísmo ou
autocompaixão. E a cumplicidade se rompe e a gente se sente sozinha.
O caminho do desencontro é ladrilhado de silêncios, quando se devia
falar, e de palavras quando o melhor teria sido ficar calado: e a
gente sabia, ah, sim, sabia. Pior: é ladrilhado de gestos que não
foram feitos quando o outro tanto precisava.
E no silêncio o peso da omissão, cumplicidade com o erro, se agiganta.
• • •
Tenho falado muito em minha vida, tenho escrito talvez demais.
Nem sempre acerto o tom, nem sempre encontro as palavras,
eventualmente magôo a quem amo e aliso a quem desejava censurar.
Palavras são animais esquivos, ora belos, ora mortais. Ninguém os
domestica de verdade, ninguém consegue fugir ao seu poder. Mas nem
sempre sabemos o poder que elas têm e concedem.
Povos inteiros são iludidos com palavras grandiosas cujo alicerce era
areia movediça; pessoas, famílias, sofrem pela palavra certa que não
veio quando era esperada, ou chegou e estava vazia de conteúdo.
Ainda acredito que o ser humano não é essencialmente burro nem
perverso, e isso inclui governos e autoridades. Mas perturba-me o que
andam fazendo conosco: não temos poder, estamos ameaçados e
desinformados do que se passava e se passa, nossos ouvidos são curtos
para a vastidão dos bastidores com cenários acumulados, tudo falso,
tudo papelão e tinta e meandros que nem sonhamos.
Ando cansada de frases, mas elas são a arma que me resta, a ferramenta
com que nasci, o recurso que o destino colocou a meu dispor, mesmo
quando as emoções se cansam.
Mas não encontro a palavra certa nem o silêncio adequado para falar,
neste momento, nesta folha de papel, longe que estou dos
acontecimentos da terra que escolho todos os dias para viver.
Valem pensamentos?
Pensamentos valem, cheios do desejo de que a gente não seja
descartável, nossa história não se anule e a covardia não impeça a
verdade: aquela por trás das palavras ocas e dos silêncios
sorrateiros.
Que os pensamentos bons e as idéias saudáveis nos levem a dar em
conjunto um grande grito transformador:
Assim a gente não quer mais!!!!!!!!!!!!!
Lya Luft
The Fifth Dimension - Aquarius (1969)
O ano é 1969. O filme: Hair. O conjunto: 5Th Dimension - o que alguns chamam dos "Black Mamas & Papas".
Esse foi um presente da minha prima de Salvador, Cris, que adora essa música. O Felipe, meu priminho de quatro anos, também. E eu, nem precisa dizer, né?
A letra pra vcs cantarem junt@s...
Enfim, consigo postar o vídeo acima. Foi uma sugestão da minha prima de Salvador. Ela adora a música, seu priminho (3 anos) Felipe também e eu também.
Abaixo, a letra (inclui também "Let the Sunshine in"). O programa é o do Ed Sullivan, popular nos anos 60 e 70 nos EUA. Foi lá que os Beatles também se apresentaram:
Age Of Aquarius
The Fifth Dimension
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the downing of the Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius! Aquarius!
When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the downing of the Age of Aquarius
The Age of Aquarius
Aquarius! Aquarius!
Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelation
And the mind's true liberation
Aquarius! Aquarius!
--- instrumental and tempo shift ---
Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in
Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in
Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in
--- continue to end with concurrent scat ---
Oh, let it shine, c'mon
Now everybody just sing along
Let the sun shine in
Open up your heart and let it shine on in
When you are lonely, let it shine on
Got to open up your heart and let it shine on in
And when you feel like you've been mistreated
And your friends turn away
Just open your heart, and shine it on in
Chico Buarque - Eu Te Amo (Carioca Ao Vivo)
Presente da minha amiga Vanda, com direito a letra pra vcs cantarem junt@s.
Chico Buarque - Eu Te Amo (Carioca Ao Vivo)
Composição Tom Jobim e Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Campanha contra a homofobia
E os portugueses deram "olé" na gente. Campanha contra a homofobia em Portugal.
Graça
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Ainda em ritmo de Convenção...
Acima, o vídeo de "Don´t worry, be happy", de Bobby McFerrin, citado pelo Br. Santoshananda; abaixo, a letra:
Don't Worry Be Happy
Here's a little song I wrote
You might want to sing it note for note
Don't worry, be happy
In every life we have some trouble
But when you worry you make it double
Don't worry, be happy
Don't worry, be happy now
Oo, ooo...
Don't worry, be happy(4x)
Oo, ooo...
Ain't got no place to lay your head
Somebody came and took your bed
Don't worry, be happy
The land-lord say your rent is late
He may have to litigate
Don't worry, be happy
Look at me, I'm happy
Don't worry........ be happy
let me give you my phone number
when you worry, call me I will make you happy
Don't worry...... be happy
Ain't got no cash, ain't got no style
Ain't got no girl to make you smile
Don't worry, be happy
'Cause when you worry your face will frown
And that will bring everybody down
So don't worry, be happy
Don't worry, be happy now
Oo, ooo...
Don't worry, be happy (4X)
Oo, ooo...
Don't worry, don't worry, don't do it, be happy
Let the smile on your face
Don't bring everybody down like this
Don't worry, people will soon pass
what ever it is
Don't worry, be happy
I am not worried, "I am happy"
--------------------------
Aqui, o poema citado pelo Br. Vijayananda:
Present Tense - Jason Lehman
It was spring, but it was summer I wanted,
The warm days, and the great outdoors.
It was summer, but it was fall I wanted,
The colorful leaves, and the cool, dry air.
It was fall, but it was winter I wanted,
The beautiful snow, and the joy of the holiday season.
It was winter, but it was spring I wanted,
The warmth and the blossoming of nature.
I was a child, but it was adulthood I wanted,
The freedom and respect.
I was 20, but it was 30 I wanted,
To be mature, and sophisticated.
I was middle-aged, but it was 20 I wanted,
The youth and the free spirit.
I was retired, but it was middle-age I wanted,
The presence of mind without limitations.
My life was over, and I never got what I wanted.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Tendo a lua...
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos
e de você e eu.
Herbert Bi Barone - Paralamas...
Merecia a visita não de militares,
mas de bailarinos
e de você e eu.
Herbert Bi Barone - Paralamas...
Por unanimidade, STF reconhece união estável gay
Por unanimidade, STF reconhece união estável gay
05 de maio de 2011 • 18h19 • atualizado às 20h36
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5113766-EI306,00-Maioria+do+STF+vota+por+reconhecimento+de+uniao+estavel+gay.html
Direto de Brasília
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quinta-feira a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Com a decisão dos dez ministros aptos a votar, a Suprema Corte consolida decisão que garante o reconhecimento de direitos civis para homossexuais e abre caminho para a garantia de futuras práticas como o recebimento de herança e pensão e o direito de tornarem-se dependentes em planos de saúde e de previdência.
O Plenário é composto por 11 integrantes, mas o ministro José Antonio Dias Toffoli se declarou impedido de participar do julgamento, uma vez que atuou como advogado-geral da União (AGU) no caso e deu, no passado, parecer sobre o processo.
Nos processos analisados hoje, os magistrados discutiram, entre outros, a abrangência do artigo 226 da Constituição, que prevê que "para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar" e do artigo 1723 do Código Civil, que reconhece como família "a união estável entre o homem e a mulher".
Confira como votou cada um dos ministros:
Carlos Ayres Britto: relator do caso, ele defendeu a garantia de uniões estáveis para casais gays e disse que a preferência sexual de cada indivíduo não pode ser utilizada como argumento para se aplicar leis e direitos diferentes aos cidadãos. Ressaltou o direito à intimidade sexual de cada um, a ampliação do conceito de família para além do par homem-mulher e defendeu uma "concreta liberdade" para os casais homossexuais.
Luiz Fux: Disse que a Constituição Federal permite o reconhecimento de casais gays como entidades familiares e lembrou que é papel do Poder Judiciário "suprir lacunas" caso o Congresso Nacional, responsável por criar leis, não tenha garantido legalmente direitos civis aos homossexuais. "Há uma liberdade sexual consagrada como cláusula pétrea", disse.
Cármen Lúcia: Baseou sua defesa ao reconhecimento de direitos civis a casais gays no cumprimento do direito à liberdade, cláusula pétrea da Constituição. Condenou "atos de covardia e violência" contra minorias, como os impostos aos casais homossexuais, e observou que o Direito constitucional discutido no Supremo tem também por objetivo combater "todas as formas de preconceito".
Ricardo Lewandowski: Afirmou que as uniões homoafetivas devem ser reconhecidas pelo Direito, "pois dos fatos nasce o direito". Fez a ressalva de que a Constituição faz referência apenas a uniões estáveis entre homens e mulheres, mas observou que isso não significa que "a união homoafetiva não possa ser identificada como entidade familiar apta a receber proteção estatal".
Joaquim Barbosa: Admitiu que o Direito não foi capaz de acompanhar as mudanças e criações de novos perfis familiares e, ao defender o reconhecimento de direitos civis a parceiros homossexuais, disse que não há na Constituição "qualquer alusão ou proibição ao reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas". "Todos, sem exceção, tem direito a uma igual consideração", resumiu.
Gilmar Mendes: Também favorável ao reconhecimento de uniões estáveis para parceiros gays, disse que a decisão garante um "modelo mínimo de proteção institucional como instrumento para evitar uma caracterização continuada de crime, de discriminação". Evitou afirmar em que proporção a decisão da maioria afetaria na prática os direitos dos casais gay e observou que a proteção aos homossexuais poderia ser feita por meio de leis no Congresso Nacional, mas que teve de ser levada a cabo pelo STF porque o Poder Legislativo não agiu.
Ellen Gracie: A ministra, ao seguir o voto de Ayres Britto, ressaltou que reconhecimento de direitos aos casais homossexuais coloca o Brasil entre países mais avançados do mundo. "Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes", disse.
Marco Aurélio Mello: Lembrou que anualmente cerca de 100 homossexuais são assassinados no Brasil por conta de sua orientação sexual e disse que o reconhecimento de direitos civis a parceiros do mesmo sexo fortaleceria o Estado democrático de Direito. "O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa fortalecer o Estado democrático de Direito. O livre arbítrio também é um valor moral relevante", declarou.
Celso de Mello: Decano do STF, Mello buscou separar a religião de direitos que devem ser garantidos pelo Estado e opinou que nenhum cidadão pode ser privado de seus direitos por ser homossexual, sob pena de estar inserido em um regime de leis "arbitrárias e autoritárias". "Ninguém, absolutamente ninguém pode ser privado de seus direitos nem sofrer quaisquer restrições de ordem jurídica por motivo de sua orientação sexual. Isso significa que também os homossexuais têm o direito de receber a igual proteção das leis e do sistema político-jurídico instituído pela Constituição Federal, mostrando-se arbitrário e autoritário qualquer estatuto que puna, discrimine (...) e que desiguale as pessoas em razão de sua orientação sexual", disse.
05 de maio de 2011 • 18h19 • atualizado às 20h36
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5113766-EI306,00-Maioria+do+STF+vota+por+reconhecimento+de+uniao+estavel+gay.html
Direto de Brasília
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu nesta quinta-feira a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Com a decisão dos dez ministros aptos a votar, a Suprema Corte consolida decisão que garante o reconhecimento de direitos civis para homossexuais e abre caminho para a garantia de futuras práticas como o recebimento de herança e pensão e o direito de tornarem-se dependentes em planos de saúde e de previdência.
O Plenário é composto por 11 integrantes, mas o ministro José Antonio Dias Toffoli se declarou impedido de participar do julgamento, uma vez que atuou como advogado-geral da União (AGU) no caso e deu, no passado, parecer sobre o processo.
Nos processos analisados hoje, os magistrados discutiram, entre outros, a abrangência do artigo 226 da Constituição, que prevê que "para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar" e do artigo 1723 do Código Civil, que reconhece como família "a união estável entre o homem e a mulher".
Confira como votou cada um dos ministros:
Carlos Ayres Britto: relator do caso, ele defendeu a garantia de uniões estáveis para casais gays e disse que a preferência sexual de cada indivíduo não pode ser utilizada como argumento para se aplicar leis e direitos diferentes aos cidadãos. Ressaltou o direito à intimidade sexual de cada um, a ampliação do conceito de família para além do par homem-mulher e defendeu uma "concreta liberdade" para os casais homossexuais.
Luiz Fux: Disse que a Constituição Federal permite o reconhecimento de casais gays como entidades familiares e lembrou que é papel do Poder Judiciário "suprir lacunas" caso o Congresso Nacional, responsável por criar leis, não tenha garantido legalmente direitos civis aos homossexuais. "Há uma liberdade sexual consagrada como cláusula pétrea", disse.
Cármen Lúcia: Baseou sua defesa ao reconhecimento de direitos civis a casais gays no cumprimento do direito à liberdade, cláusula pétrea da Constituição. Condenou "atos de covardia e violência" contra minorias, como os impostos aos casais homossexuais, e observou que o Direito constitucional discutido no Supremo tem também por objetivo combater "todas as formas de preconceito".
Ricardo Lewandowski: Afirmou que as uniões homoafetivas devem ser reconhecidas pelo Direito, "pois dos fatos nasce o direito". Fez a ressalva de que a Constituição faz referência apenas a uniões estáveis entre homens e mulheres, mas observou que isso não significa que "a união homoafetiva não possa ser identificada como entidade familiar apta a receber proteção estatal".
Joaquim Barbosa: Admitiu que o Direito não foi capaz de acompanhar as mudanças e criações de novos perfis familiares e, ao defender o reconhecimento de direitos civis a parceiros homossexuais, disse que não há na Constituição "qualquer alusão ou proibição ao reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas". "Todos, sem exceção, tem direito a uma igual consideração", resumiu.
Gilmar Mendes: Também favorável ao reconhecimento de uniões estáveis para parceiros gays, disse que a decisão garante um "modelo mínimo de proteção institucional como instrumento para evitar uma caracterização continuada de crime, de discriminação". Evitou afirmar em que proporção a decisão da maioria afetaria na prática os direitos dos casais gay e observou que a proteção aos homossexuais poderia ser feita por meio de leis no Congresso Nacional, mas que teve de ser levada a cabo pelo STF porque o Poder Legislativo não agiu.
Ellen Gracie: A ministra, ao seguir o voto de Ayres Britto, ressaltou que reconhecimento de direitos aos casais homossexuais coloca o Brasil entre países mais avançados do mundo. "Uma sociedade decente é uma sociedade que não humilha seus integrantes", disse.
Marco Aurélio Mello: Lembrou que anualmente cerca de 100 homossexuais são assassinados no Brasil por conta de sua orientação sexual e disse que o reconhecimento de direitos civis a parceiros do mesmo sexo fortaleceria o Estado democrático de Direito. "O Brasil está vencendo a guerra desumana contra o preconceito, o que significa fortalecer o Estado democrático de Direito. O livre arbítrio também é um valor moral relevante", declarou.
Celso de Mello: Decano do STF, Mello buscou separar a religião de direitos que devem ser garantidos pelo Estado e opinou que nenhum cidadão pode ser privado de seus direitos por ser homossexual, sob pena de estar inserido em um regime de leis "arbitrárias e autoritárias". "Ninguém, absolutamente ninguém pode ser privado de seus direitos nem sofrer quaisquer restrições de ordem jurídica por motivo de sua orientação sexual. Isso significa que também os homossexuais têm o direito de receber a igual proteção das leis e do sistema político-jurídico instituído pela Constituição Federal, mostrando-se arbitrário e autoritário qualquer estatuto que puna, discrimine (...) e que desiguale as pessoas em razão de sua orientação sexual", disse.
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