Essa é uma contribuição de minha amiga Vanda, de São Paulo.
Ser Poeta
Florbela Espanca
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
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Florbela Espanca, poeta portuguesa, nasceu em 1894 e foi uma mulher muito à frente de seu tempo.
Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário do Liceu de Évora, o que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu.
Casou-se pela primeira vez aos 19 anos (1913). E mais duas vezes em 1921 e em 1925.
Em 1917 completa em Évora o Curso Complementar de Letras e à seguir ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, sendo a primeira mulher a fazer isso. Em Lisboa contata um grupo mulheres escritoras que então procuravam impor-se.
Mulher muito à frente de seu tempo, com vários casamentos, desilusões amorosas, abortos (no segundo sua família deixa de falar com ela) e a perda de um irmão muito querido em desastre fazem com que aumentem os problemas psicológicos que ela já apresentava.
Em 8 de dezembro de 1930, dia de seu aniversário, suicida-se aos 36 anos.
dados sobre sua obra no google
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