domingo, 18 de abril de 2010

A FELICIDADE TAMBÉM COMEÇA AQUI - 2


Mamãe se despedindo de vocês (na foto com a Ana). (as duas fotos foram tiradas no dia do aniversário dela, 30/01/2010).

A FELICIDADE TAMBÉM COMEÇA AQUI



Sem entender muito bem esses ritos funerários, que nem precisa dizer – acho desnecessários – fui lá eu, atendendo ao pedido da Tia Lili, encomendar uma coroa de flores para o enterro da mamãe.
Não sabia o que pedir, mas o vendedor solícito me mostrou fotos dos modelos de coroas e escolhi uma bonita, com flores amarelas e vermelhas, aproveitei pra incluir uns girassóis e umas rosas vermelhas.

Ele falou também que deveria ter uma faixa com alguns dizeres. Fiquei meio pateta, sem entender muito bem. Ele se esforçou pra me explicar quais as frases mais comuns – nada disso tinha a cara da minha mãe, da d. Nane.

Como explicar a alegria que eu estava sentindo? A emoção daquele momento em que eu via a minha mãezinha tão feliz, tão alegre, como ela sempre foi?

Pedi ao Mestre (Paramahansa Yogananda) que me inspirasse e aí saiu: “A felicidade também começa aqui”.
Pode parecer estranho a maioria de vocês que, em pleno velório da minha mãe, eu estivesse feliz. Mas, eu estava e como. Eu queria dançar. Uma alegria tão grande, eu não conseguia sentir tristeza. E não era só eu, a Ana (minha prima-irmã) também estava assim. Tia Lili ainda sofria pela irmã, mas aos poucos foi sentindo aquela alegria contagiante que acabou tomando conta de algumas pessoas que compreenderam que a morte não existe. Nossa vida não termina num simples corpo, encerrado dentro de um caixão. Tive a certeza ali, naquele momento.
Ok, vocês até poderão dizer que eu estava em estado de comoção e que não tinha atinado no que representava tudo aquilo, afinal minha mãe, aos 87 anos, flamenguista, bahiana, alegre, de bem com a vida, batalhadora, que adorava dançar, que amava música, que cozinhava maravilhosamente bem, que sempre tinha uma palavra de incentivo a quem quer que fosse, que não gostava de ver ninguém brigado, que tinha um coração grande (em todos os sentidos), que tinha um gênio danado, mas que viveu a vida com intensidade (uma semana antes de sua internação por um AVC isquêmico – o último – estava dançando rock de Elvis Presley comigo na sala) não estaria mais aqui.

Passamos desde o dia 15 de outubro de 2009, quando ela teve o primeiro AVC, que deixou seqüelas pequenas, mas perceptíveis, a viver cada dia como sendo único. Fizemos questão – as três – de curtir com ela todos os momentos, com muita alegria, porque afinal não saberíamos se haveria o dia seguinte. O aniversário dela no dia 30 de janeiro teve churrasco com direito a músicas de carnaval e ela resistiu bravamente até às 2 da manhã, quando conseguimos convencê-la a ir dormir (o que obviamente ela não fez, ficou na cama cantarolando baixinho as músicas, ouvindo o movimento lá fora).

Com uma mãe dessas, como ficar triste? Como lamentar a morte? Só se eu imaginasse que a vida terminasse aqui e ponto final.

No velório, tivemos rock (Elvis de novo!), samba, carnaval da Bahia (aqueles de Gil, Caetano e cia.), Padre Marcelo (que ela adorava) – as músicas que ela adorava. Tivemos salva de palmas pra ela que havia nos ensinado tanto. Tivemos reconciliações de pessoas que não se viam há anos, tivemos paz e alegria. Tivemos um céu lindo, um sol escaldante. Tudo como mamãe gostava. Portanto, dava pra ficar triste? Impossível!
Bem, pra todos vocês que foram; pra vocês que não puderam, mas que estavam lá em pensamento; pra aqueles que não conheceram a mamãe, mas ouviram as minhas inúmeras histórias dela (e como ela aprontava, principalmente com a minha querida Tia Sinoca – as duas eram do balocobaco! E também as dela com a Tia Lili, numa cumplicidade inacreditável para duas irmãs) e estavam lá também por mim; que me mandaram mensagens superafetuosas por celular ou e-mail, valeu e como!!!
Como já disse a várias pessoas: mãe é mãe e sempre vai fazer falta, não adianta. Tomei a resolução naquele momento de ser mais feliz ainda do que já sou. Acho que é o mínimo que posso dar de presente a ela.
Tudo ainda está muito recente (afinal, ela faleceu na quinta (15/04), com enterro na sexta (16/04). Ainda tenho muitas lágrimas pra derramar e creio que não cessará tão cedo. Mas, acreditem, não são de tristeza. Ela não quer isso. E eu também não.

Um beijo,
Graça
Meu Rio de Janeiro, 18 de abril de 2010 - Domingo de sol e céu azul!
(E o meu Botafogo campeão!)

domingo, 11 de abril de 2010

As 20 Leis dos índios Sioux

As 20 Leis dos índios Sioux
(contribuição da Rose, da Self)


1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito escutará você.

2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e avareza, originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

3. Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza ou da cultura. Se não foi ganhado nem foi dado, não é seu.

6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo, voltará multiplicada a você.

9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.

10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.

11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família terrena.

12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

13. Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é ogrande teste para a nossa herança do universo.

15. Mantenha-se equilibrado. Seu Mental, seu Espiritual, seu Emocional, e seu Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu Físico para fortalecer o seu Mental. Enriqueça o seu Espiritual para curar o seu Emocional.

16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.

17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.

18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

19. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros.

20. Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

sábado, 10 de abril de 2010

Ser Poeta

Essa é uma contribuição de minha amiga Vanda, de São Paulo.

Ser Poeta
Florbela Espanca

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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Florbela Espanca, poeta portuguesa, nasceu em 1894 e foi uma mulher muito à frente de seu tempo.

Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário do Liceu de Évora, o que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu.

Casou-se pela primeira vez aos 19 anos (1913). E mais duas vezes em 1921 e em 1925.

Em 1917 completa em Évora o Curso Complementar de Letras e à seguir ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa, sendo a primeira mulher a fazer isso. Em Lisboa contata um grupo mulheres escritoras que então procuravam impor-se.

Mulher muito à frente de seu tempo, com vários casamentos, desilusões amorosas, abortos (no segundo sua família deixa de falar com ela) e a perda de um irmão muito querido em desastre fazem com que aumentem os problemas psicológicos que ela já apresentava.

Em 8 de dezembro de 1930, dia de seu aniversário, suicida-se aos 36 anos.

dados sobre sua obra no google

quinta-feira, 1 de abril de 2010

I am very blessed to be who I am / ¡Me siento bendecido de ser quien soy!

Direto do site do Rick Martin
http://rickymartinmusic.com/portal/news/news.asp?item=114532

News
Version Español
3/29/2010

En los últimos meses me di a la tarea de escribir mis memorias.

En los últimos meses me di a la tarea de escribir mis memorias. Un proyecto que sabia seria uno verdaderamente importante para mi porque desde que escribí la primera frase me di cuenta que seria la herramienta que ayudaría a liberarme de cosas que venia cargando desde hace mucho tiempo. Cosas que pesaban demasiado. Escribiendo este minucioso inventario de mi vida, me acerque a mis verdades. Y esto es de celebrar!

Si existe un lugar que me llena porque estremece mis emociones, es el escenario, es mi vicio. La música el espectáculo, el aplauso, estar frente a un publico me hace sentir que soy capaz de cualquier cosa. Es un tipo de adrenalina y euforia que no quiero que deje de correr por mis venas jamás. Si ustedes, el publico y la musa me lo permiten, espero seguir en los escenarios muchos años mas. Pero hoy la serenidad me lleva a un lugar muy especial, uno de reflexión, comprensión y mucha iluminación. Me siento libre! Y lo quiero compartir.

Mucha gente me dijo que no era importante hacerlo, que no valía la pena, que todo lo que trabaje y todo lo que había logrado se colapsaría. Que muchos en este mundo no estarían preparados para aceptar mi verdad, mi naturaleza. Y como estos consejos venían de personas que amo con locura, decidí seguir adelante con mi "casi verdad". MUY MAL. Dejarme seducir por el miedo fue un verdadero sabotaje a mi vida. Hoy me responsabilizo por completo de todas mis decisiones, y de todas mis acciones.

Y si me preguntaran el dia de hoy ¿Ricky, a que le tienes miedo? Les contestaría - "a la sangre que corre por las calles de los países en Guerra, a la esclavitud sexual infantil, al terrorismo, al cinismo de algunos hombres en el poder, al secuestro de la fe". Pero miedo a mi naturaleza, a mi verdad? NO MAS! Al contrario, estas me dan valor y firmeza. Justo lo que necesito para mi y para los míos, y mas ahora que soy padre de 2 criaturas que son seres de luz. Tengo que estar a su altura. Seguir viviendo como lo hice hasta hoy, seria opacar indirectamente ese brillo puro con el cual mis hijos han nacido. BASTA YA! LAS COSAS TIENEN QUE CAMBIAR! Estoy claro que esto no se supone que pasara hace 5 ni hace 10 años atrás . Esto se supone que pasara hoy. Hoy es mi dia, este es mi tiempo, mi momento.

Que pasara de ahora en adelante? Quien sabe. Solo me puedo enfocar en lo que estoy viviendo ahora. Estos años en silencio y reflexión me han fortalecido y me recordaron que el amor vive dentro de mi, que la aceptación la encuentro en mi interior, y que la verdad solo trae la calma. Hoy para mi el significado de la felicidad toma otra dimensión.

Ha sido un proceso muy intenso, angustiante y doloroso pero también liberador. Les juro que cada palabra que están leyendo aquí nace de amor, purificación, fortaleza, aceptación y desprendimiento. Que escribir estas líneas es el acercamiento a mi paz interna, parte vital de mi evolución. Hoy ACEPTO MI HOMOSEXUALIDAD como un regalo que me da la vida.

¡Me siento bendecido de ser quien soy!- RM

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ENGLISH VERSION

A few months ago I decided to write my memoirs, a project I knew was going to bring me closer to an amazing turning point in my life. From the moment I wrote the first phrase I was sure the book was the tool that was going to help me free myself from things I was carrying within me for a long time. Things that were too heavy for me to keep inside. Writing this account of my life, I got very close to my truth. And this is something worth celebrating.

For many years, there has been only one place where I am in touch with my emotions fearlessly and that's the stage. Being on stage fills my soul in many ways, almost completely. It's my vice. The music, the lights and the roar of the audience are elements that make me feel capable of anything. This rush of adrenaline is incredibly addictive. I don't ever want to stop feeling these emotions. But it is serenity that brings me to where I'm at right now. An amazing emotional place of comprehension, reflection and enlightenment. At this moment I'm feeling the same freedom I usually feel only on stage, without a doubt, I need to share.

Many people told me: "Ricky it's not important", "it's not worth it", "all the years you've worked and everything you've built will collapse", "many people in the world are not ready to accept your truth, your reality, your nature". Because all this advice came from people who I love dearly, I decided to move on with my life not sharing with the world my entire truth. Allowing myself to be seduced by fear and insecurity became a self-fulfilling prophecy of sabotage. Today I take full responsibility for my decisions and my actions.

If someone asked me today, "Ricky, what are you afraid of?" I would answer "the blood that runs through the streets of countries at war...child slavery, terrorism...the cynicism of some people in positions of power, the misinterpretation of faith." But fear of my truth? Not at all! On the contrary, It fills me with strength and courage. This is just what I need especially now that I am the father of two beautiful boys that are so full of light and who with their outlook teach me new things every day. To keep living as I did up until today would be to indirectly diminish the glow that my kids where born with. Enough is enough. This has to change. This was not supposed to happen 5 or 10 years ago, it is supposed to happen now. Today is my day, this is my time, and this is my moment.

These years in silence and reflection made me stronger and reminded me that acceptance has to come from within and that this kind of truth gives me the power to conquer emotions I didn't even know existed.What will happen from now on? It doesn't matter. I can only focus on what's happening to me in this moment. The word "happiness" takes on a new meaning for me as of today. It has been a very intense process. Every word that I write in this letter is born out of love, acceptance, detachment and real contentment. Writing this is a solid step towards my inner peace and vital part of my evolution.

I am proud to say that I am a fortunate homosexual man. I am very blessed to be who I am. RM

A queimada

A queimada
Ledo Ivo

Queime tudo o que puder: as cartas de amor as contas telefônicas
o rol de roupas sujasas escrituras e certidões
as inconfidências dos confrades ressentidos
a confissão interrompida
o poema erótico que ratifica a impotência e anuncia a arteriosclerose
os recortes antigos e as fotografias amareladas.

Não deixe aos herdeiros esfaimados
nenhuma herança de papel.
Seja como os lobos: more num covil
e só mostre à canalha das ruas os seus dentes afiados.
Viva e morra fechado como um caracol.
Diga sempre não à escória eletrônica.
Destrua os poemas inacabados,
os rascunhos,
as variantes e os fragmentos
que provocam o orgasmo tardio dos filólogos e escoliastas.

Não deixe aos catadores do lixo literário nenhuma migalha.
Não confie a ninguém o seu segredo.
A verdade não pode ser dita.