A minha amiga Vanda (de SP), excelente jornalista agora aposentada, me mandou esse texto da Martha Medeiros, escritora de POA, no formato pps (Power Point). Eu transformei em texto.
Antes, algumas palavras. A Martha considera "elegância" algo que para mim é respeito ao outro ou educação, e que deveria continuar sendo natural em tod@s, independentemente de classe social, conta (ou não) bancária, estudo e o que mais der para definir.
Nessa segunda-feira (15/06), acabei pegando o ônibus errado e descendo bem longe de casa. Como no caminho havia um supermercado, decidi comprar algumas coisas que estavam faltando em casa.
Meus amigos já conhecem a minha aversão a supermercados e shoppings. Portanto, vou na base da obrigação e resmungando comigo mesma, e não esperem de mim nenhuma animação - "ó céus, ó vida".
Duas cenas que presenciei chamaram a minha atenção. A primeira foi quando uma senhora com o seu carrinho de compras quis passar para o outro corredor e uma jovem conversava com a mãe, alertando-a para comprar um outro produto. A senhora ríspidamente falou: "Mocinha, quer sair da minha frente!"
Eu e mais outra senhora que aguardávamos a nossa vez de passar, em sentido contrário, ficamos surpresas com a impaciência da senhora. A senhora do carrinho repetiu mais uma vez até que a menina ouviu e, espantada com a rispidez, abriu caminho. A senhora passou e não me contive em comentar com a minha colega de infortúnio que assistira toda aquela cena: "Na minha juventude, as pessoas diziam 'com licença'; aliás, minha mãe me ensinou assim."
Cinco minutos depois, sou de novo testemunha de outra cena envolvendo mais um jovem da terceira idade. Dessa vez, uma senhorinha entregava ao seu esposo alguns mantimentos para que ele colocasse no seu carrinho de compras. Num dado momento, o marido deixou cair um pacote de biscoito cream cracker. Ao tentar se abaixar para pegar (nem tive tempo, pois o velhinho era muito ágil), uma outra senhora, na contramão, simplesmente empurrou seu carrinho de compras sobre o biscoito, quase atropelando o velhinho. Felizmente, nada aconteceu e a moça que vinha logo atrás - também surpresa com o que ocorreu - tratou de pegar o biscoito.
O velhinho olhou para nós e disse: "viu? Ela quase me atropelou!". Optei por nada dizer, mas saí do supermercado com a certeza de que reclamamos demais que o mundo está ruim, que as pessoas perderam a educação e o respeito, mas esquecemos de prestar a atenção em atos pequenos do nosso dia a dia, que contribuem e muito para esse mesmo mundo piorar.
Graça
Avec Elegance
Martha Medeiros
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens...
Abrir a porta para alguém é muito elegante...
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante...
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Oferecer ajuda... é muito elegante...
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante...
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
FORMATAÇÃO: Mima (Wilma) Badan
mimabadan@hotmail.com
Oh!
ResponderExcluirQue muitas pessoas escrevam e divulguem textos que estimulem a elegância e a civilidade.
Fiquei feliz em ler.
Aproveito para deixar aqui a definição de civilidade.
civilidade
[Do lat. civilitate.]
Substantivo feminino.
1.Conjunto de formalidades observadas entre si pelos cidadãos em sinal de respeito mútuo e consideração.
2.Polidez, urbanidade, delicadeza, cortesia.
Grande Abraço
Eliane
....esse texto é de Tolouse Lautrec..."Avec elegance"!!! Muitos inserem algumas atualizações e dai...a autoria muda!!!
ResponderExcluirEta internet....
Sobre as suas observações, concordo!!! Porém, hoje em dia ....nem educação, nem respeito....elegância então, nem pensr: calça rsgad é moda, sentar-se de qq jeito é "cool", palavráo é "in"... professor, que bicho é esse???
Ai que saudade que tenho......
A.Rocha