segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ainda sobre as férias

Pessoal, quando estive em São João do Cariri (PB) aproveitei pra visitar o Museu Histórico de lá. É uma iniciativa de um professor da UFPB, que acabou recolhendo objetos antigos (inclusive verdadeiras relíquias) dos moradores para compor o acervo.

O texto abaixo eu consegui lá. Ele dá uma boa idéia de como se fala na região e de como somos influenciados com alguns termos de lá que, mesmo sem saber, repetimos. Infelizmente, o autor é desconhecido.

UM VERDADEIRO DIALETO
Só quem é nordestino (e matuto) entende

Se é miúdo é pixototinho
Se é pequeno é cotôco
Se é alto é galalau
Se é franzino é xôxo

Tudo o que é bom é massa
Tudo o que é ruim é peba
Rir dos outros é mangar
O bobo se chama leso
E o medroso se chama frouxo
Tá torto é troncho
Se vai sair diz vou chegando

Dar a volta é arrodeio
Se é longe é o fim do mundo

Dinheiro é mufunfa
Cabra sem dinheiro é liso
Pernilongo é muriçoca
Chicote se chama peia

Quem entra sem licença emburaca
Sinal de espanto é vote
Se tá folgado tá folote
Quem tem sorte é cagado
Quem dá furo é fuleiro
Sujeira no olho é remela

Gente insistente é pegajosa
Agonia é aperreio
Meleca se chama catôta
Gases se chama bufa
Catinga de suor é inhaca
Mancha de pancada é roncha
Palhaçada é mungaga
Desarrumado e malamanhado
Pessoa triste é borocoxô

“É mesmo” é “e apôis”
Pois sim é não concordo
Pois não é estou às ordens
Correr arás de alguém é dar carreira
Passear é bater perna
Fofoca é resenha
Estouro se chama pipoco
Confusão é rolo
Travessura é presepada
Gente complicada é nó cego
Paquerar é se inxerir
Distraído é aluado

Visse?! Num é fácil?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Do vício do cigarro ao vício do celular

Pessoal,
Esta é uma contribuição da Vanda.
Um beijo,
G
Revista Contemporânea -- Carla Rodrigues



Do vício do cigarro ao vício do celular
08-12-2008

Num dia o volume no bolso da camisa era um maço de Marlboro; no dia seguinte, era um Motorola. Um dia a garota bonita, vulnerável por estar desacompanhada, estava ocupando suas mãos, sua boca e sua atenção com um cigarro; no dia seguinte, ocupava-o com uma conversa muito importante com uma pessoa que não era você. Num dia uma multidão se reunia em torno do primeiro adolescente no playground a carregar um maço de cigarros; no dia seguinte, se reunia em volta do primeiro a ostentar uma tela colorida. Num dia, os viajantes acendiam seus isqueiros assim que desciam do avião; no dia seguinte, estavam discando números em seus celulares. Dependências de um maço de cigarros por dia viraram contas mensais de US$ 100. A poluição por fumaça virou poluição sonora.

Desde que li esse texto do Jonathan Franzen no Mais!, me encantei com a comparação entre o cigarro e o celular.

Mas preferi esperar para observar em mim mesma esse comportamento antes de escrever sobre o tema.

De fato, quando chego sozinha a um lugar - seja um bar, um consultório médico ou a uma fila de de banco - saco o celular como já saquei do maço de cigarro. Para me fazer companhia.

Posso simplesmente checar meu email, mesmo sabendo que não há provavelmente nada de importante me esperando na caixa postal, posso jogar paciência enquanto espero na fila ou posso aproveitar o tempo para ligar para alguém.

É verdade que tenho o cuidado de só ligar para alguém se tenho privacidade e tempo para conversar, duas regras básicas da boa educação.

Mas sei que não é sempre assim e sou totalmente consciente de que me tornei viciada em celular.

O texto de Franzen, no entanto, vai além da crítica ao uso do telefone móvel como muleta para a solidão urbana básica e questiona a falta de privacidade, tema recorrente nas diversas críticas que já li sobre o celular.

Trocamos, diz Franzen, a poluição da fumaça do cigarro pela poluição sonora, que nos atormenta com trechos de conversas que invadem nosso espaço sonoro. A menos que você tenha músicas para ouvir no seu telefone e possa, por meio dele, se desconectar do resto do mundo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

FÉRIAS!!!!!!!!!!

Depois de exatos cinco anos, consegui tirar férias. O lugar que escolhi para passar meus preciosos 20 dias foi a Paraíba, mais precisamente no litoral sul, a cidade de Jacumã, onde uma amiga, Naná, tem casa.

Levei o celular por pressão da família, mas o desliguei assim que cheguei ao Galeão e só voltei a ligá-lo quando estava de volta ao Rio, dentro do aeroporto pra que minha prima, que foi me buscar, conseguisse me localizar.

Relógio? Nem pensar. Não levei Eu me guiava pela posição do sol no céu. Acordava às cinco ou próximo a isso, acompanhava o dia começando a clarear e ia dormir em algum momento da noite, depois de, na rede, olhar todas as estrelas e tentar identificar as constelações e planetas a olho nu.


Jacumã
É um distrito de Conde, assim como Tambaba. Fica entre a Praia do Amor e a de Carapebus (ou como o pessoal lá chama e alguns escrevem, Carapibus). A cidadezinha é acolhedora, com grandes casas de veraneio bem no estilo colonial. Um posto policial, três farmácias, lan house (que não abrem nos domingos - são três!), mercadinhos onde até se pode comprar frutas como ameixa ou pessego, algo que não está bem no gosto da população local, mas que agrada turistas como eu, além de muito, mas muito caju, seja na beira da estrada ou nas ruas. Aliás, com o calor cruel, a sombra de um cajueiro é o melhor ar condicionado do mundo. Acreditem.

Tem uma igrejinha simpática, bem de interior, mas com uma vibração forte. Andar a pé é sempre agradável e você vai conhecendo os lugares, sacando as pessoas.

As pessoas, já acostumadas com os turistas, não nos olham como ETs, mas a desconfiança é grande. Eles não são muito abertos, mas conversa daqui e dali é delicioso ouvir aquele sotaque cantado. O pessoal lá bebe uma garrafinha (tipo uma long neck) de cachaça, a Triunfo, com fatias de caju com um pouco de sal. Uma garrafinha daquela dá pra três ou quatro doses. Outro hábito da terra é que algumas pessoas tomam muito coca-cola com rum Montilla. Lembrei-me da famosa Cuba Libre, só que lá é sem limão. Outra coisa que me chamou a atenção é que alguns pescadores e pessoas que trabalham na praia nos vários barzinhos têm o hábito de fumar um baseadinho básico. Nada que espante. Não há moralismo quando se vai para um lugar desses.

O som (altíssimo de carros e "lambaderias") da moçada vai desde aqueles forrós pesados feito por novos grupos (tem um que o título do CD é "Putaria"), que são ruins toda vida até os axés da vida. Há também vários sucessos internacionais em ritmo de forró. Um tal de James Blunt, chato de doer, que depois fiquei sabendo abrirá os shows do Elton John no Brasil, é o grande sucesso por lá. Mas, o que me surpreendeu mesmo foi ver que o pessoal lá curte o funk carioca, aquele das baixarias. Sempre achei que o funk carioca era restrito ao Rio, mas lá é um sucesso e tanto.

A mulherada lá se derrete com os dramalhões da sra. AC e a Isabela Taviani. Ouvi a exaustão as duas. Não sei se elas (as duas cantoras) têm noção do sucesso que fazem por lá, mas são um “arrasa quarteirão”. As meninas de lá acham a sra. AC um tesão.

A comida, bem temperada com muito coentro ou cheiro verde (não sei ao certo), pimenta forte pra quem gosta, muita carne de bode, macaxeira (aipim), cuscuz (aquele amarelo feito com milharina). Lá em Carapebus, eu provei um peixe tipo manjubinha, o agulhinha. Sinceramente, não gostei muito, não vi nada de especial. Mas, recomendo fortemente a sopa (aliás um forte no local) de peixe. É uma delícia mesmo.

Pra quem come carne, recomendo comer a sopa de macarrão ou a de feijão verde. As sopas são bem legais e gostosas. Lá também você pode comer panquecas, feitas na hora e não congeladas, uma verdadeira refeição.

Bem, só pra dar água na boca de vocês, eu dormia e acordava ao som das ondas do mar. Caminhava pela manhã, meditava e corria pra praia. Ia para Carapebus (dois quilômetros depois de Jacumã). Não ficava em Jacumã por causa do excesso de plantas marinhas (o que quer dizer que a praia não é poluída), mas fica meio desagradável você ficar lá dentro d´água. Mas, na minha caminhada, pela praia é lógico, até Carapebus eu corria meio mundo de belezas naturais, com falésias que as ondas insistiam em desfazer, mar azul, caranguejos e pescadores.

Em Carapebus, as piscinas naturais eram meu porto seguro. Simplesmente, não saía de dentro delas. Ficava observando lagostas, caranguejos, cobras marinhas e, principalmente, peixinhos de várias cores passeando por ali. Deitar numa piscina e ver os peixinhos à sua volta é incrível. Junte-se o céu e o mar azul e não dá vontade de sair de lá.

Bem, tem mosquitos à noite e embora não seja adepta desses produtos químicos que rolam por aí e mesmo tendo um sono de pedra, tive que fazer uso deles umas duas ou três vezes.

Hum... Já tem gente perguntando se eu paquerei muito por lá. Não. Não vi mulheres interessantes, mas há dois dias de ir embora, descobri uma menina com um sorriso e uma beleza tão nativamente linda, que me tirou do chão. Mas, como era menor, fiquei só na admiração. Aquela dali era do tipo que a gente casa sem pensar...rs

Terminou a primeira semana e eu não queria saber de outra vida. Sem mp3 ou rádio ou tv, a vida lá era tudo o que eu queria. Naná me chamou pro aniversário da d. Rita, sua mãe, e lá fomos pra João Pessoa pra comemoração e, depois seguimos pra São João do Cariri, uma cidade no semi-árido, com cerca de quatro mil habitantes. A típica cidade pequena do nordeste. Já estive lá duas vezes e voltar oito anos depois me trouxe algumas surpresas.


Eu, em São João do Cariri, oito anos depois
A primeira delas foi o calor intenso mesmo, de queimar (eu andava besuntada de protetor solar o tempo todo), mas menos seco de quando lá estive (em 1998 e 2000). A cidade está bonita, com as suas casas coloridas, as praças com bancos coloridos... (Naná disse que as praças eram totalmente gays...rs), muitos adolescentes e muitos velhos.

O mundo homossexual em São João é até visível, mas tirando Naná com a sua mulher, há casais menos assumidos e gays loucos para poderem sair de lá e viverem a liberdade. Não vou dizer que haja liberdade lá, porém posso estar até equivocada, mas repressão não há.

O grande sucesso musical por aquelas bandas é um tal de Zezo, um cantor chato de doer, mas que a turma colorida adora (o povão de lá também). Ele canta sentado num banquinho, sucessos de outros cantores, não tem lá uma grande voz, mas segundo observava as pessoas, elas sentem que ele canta com sentimento, emoção. É um brega breguíssimo. O estranho é notar que a turma gay de lá, os mais velhos, ouvem aquelas músicas meio dor de cotovelo, como se o tempo já tivesse passado para eles.

O que fazer numa cidade que nada tem? Ir pra praça observar os "boyzinhos" (ou boy) e as meninas ao cair da tarde, fofocar e falar da família (sim, quase todos são parentes, primos legítimos ou distantes).

Tem lan-house com uma internet boa. Mas, o celular lá não pega – o que pra mim é um paraíso!

Eu, como turista, não escapei do crivo do pessoal. Para as mulheres que se reuniam na igreja da padroeira - Nossa Senhora dos Milagres ( há mais uma, a de São João Batista, e três evangélicas), eu era a estranha que andava pela cidade quase o dia inteiro, quiçá uma assaltante, alguém sem rumo que poderia fazer alguma maldade por lá. Por sorte, o Érico, um amigo da Naná, esclareceu na reunião que eu era amiga dela e não uma malfeitora. Achei isso, no mínimo, inusitado, as senhoras de São João tem uma imaginação muito fértil.
Falando em religião, soube que há uma briga acirrada entre evangélicos e católicos. Pelo que me contaram caras feias, resmungos e piadinhas são trocadas de quando em vez. Os dois grupos ainda não chegaram as vias de fato.

Como turista, pude ver e ouvir o que as pessoas de lá não viam: o pôr do sol (um dos mais bonitos que já presenciei) e as histórias contadas pelos antigos, que eu insistentemente procurava para saber mais.

Nessas andanças, por indicação do Idalécio, irmão da Naná, fui parar na casa do seu Inácio Francisco, um velhinho já cego pelo diabetes e paralítico, que é considerado um dos homens mais cultos da cidade, embora mal soubesse ler ou escrever. Ele lia tudo o que lhe caía nas mãos e assim foi formando a sua cultura. Como se forma uma estrela? Quais os estados da água? Que elementos compõem o ar? Qual a capital do Uzebequistão? Ele repetia tudo, com uma memória invejável. Disposto e alegre, apesar de um pouco surdo. Eu me diverti muito conversando com ele e quando ele me perguntava e eu não sabia ou fingia não saber a resposta, só pra ouvi-lo falar, ele dizia, "mas, dona mocinha...". Seu Inácio tinha 89 anos. Conheci também um dos mais velhos da cidade, o jovem de 106 anos, seu José Inácio. Achei-o triste, meio sem vida, mas muito lúcido.

Na política, PMDBistas roxos duelam com PSDBistas roxos. Politicamente, a cidade está dividida. A cassação de Cássio Cunha Lima (PSDB), governador da Paraíba, em meados de novembro, acirrou a disputa, pois os partidários do José Maranhão (PMDB), segundo colocado na eleição e que assumiria o governo, fizeram provocações pesadas contra os cassistas. Resultado: animação na cidade, provocações na porta de Pedro Medeiros, deputado estadual, ex-PMDB hoje PSDB, e o manda-chuva do local há alguns bons 40 anos. Houve troca de sopapos, xingamentos, empurra-empurra, gestos obscenos com direito a polícia cassando os agressores.

Ah! Na Paraíba, o pessoal chama os PMDBistas de vermelhos e os tucanos de amarelos. Política lá é coisa de vida e morte. Aliás, como em todo o nordeste. Ou você está com um candidato ou está contra ele. Não há meio termo.

Lá, em São João, eu me apaixonei pelo feijão macassa... Nunca fui chegada a feijão, mas este macassa é tão gostoso, mas tão gostoso e tão forte, que eu, que normalmente como pouco, fazia questão de comê-lo primeiro, antes do almoço.

Mas, o melhor de voltar lá, foi rever a comadre Zefinha, uma senhorinha de 89 anos, que gostava de me rezar e conversar horas a fio. Vê-la me emocionou demais. Ela ficou tão feliz em me ver, que eu não esperava. Disse-lhe apenas que eu, como havia prometido, voltara para vê-la e as pessoas da caatinga. Eu passava lá sempre pra prosearmos.

No mais, ficar na porta do restaurante, olhando o movimento da estrada, as pessoas que chegavam e iam. Enfim, uma típica vida de cidade de interior eu vivi durante uma semana.

Faltou dizer que mantive o hábito de sair às cinco e meia da manhã pra caminhar, com Naná em uma das praças da cidade. Eram 10 voltas, que totalizavam quatro quilômetros todos os dias. Ah! Também esqueci de falar que eu, quando a situação apertava, dava uma força lá no restaurante da família da Naná. As meninas me deram de 0 a 10, a nota três no atendimento e na realização das tarefas...rs


A caatinga
Este foi o passeio que eu ansiava. Das outras vezes, Naná me descortinou este mundo. Em São João, o pessoal vê a caatinga como área rural, onde tem os sítios. A última vez que lá estive, começava a chegar a luz. Hoje, o panorama mostra as cisternas do governo federal (a seca é inclemente), os milhares de postes espalhados e o pessoal de moto. Mas, aquela distância de um sítio ao outro ainda persiste. São léguas tiranas naquele sol de fritar miolos.

Revi Domingos e sua família, que surpreso, falou da consideração que eu tinha por eles, ao voltar pra vê-los. Revi Sales e Vilma, o casal cuja mulher mantinha, no meio da seca, um jardim único em todo o semi-árido. O jardim hoje está mais bonito do que antes e lamentei não ter uma máquina fotográfica (não levei, podem me crucificar!) pra mostrar pra vocês.

Vilma quase chorou quando me viu e eu que pensei que ela sequer se lembraria de mim. Sales não estava, mas dois dias depois, foi me encontrar no restaurante da família da Naná e batemos um longo papo.

E, no final, fui lá no sítio da Comadre Zefinha me despedir dela. Ela fora pra lá no final de semana e senti ter que deixá-la.

Não sei se ainda voltarei por lá, mas minha ida a São João foi muito bacana, pelo que revi, pelo que conheci e por sacar que algumas pessoas de lá têm por mim um carinho que eu jamais suspeitaria.

Voltamos pra Jacumã e, de novo, voltei ao meu mundo de tranqüilidade e natureza pura. Mais uma semana de praia, praia, praia, praia...


Tambaba

Desde que saí do Rio, tinha em mente ir até Tambaba, a famosa praia de naturismo da Paraíba. Simples curiosidade.

Quando estive lá, fiquei sem palavras, emocionada mesmo. Pela primeira vez, me senti como se integrasse a natureza mesmo, foi tão forte a emoção que agradeci a Deus por estar lá e fazer parte de tudo o que ele criou ali.

O lugar é lindo, com aquele mar azul, aquelas pedras, que não dá pra pensar em nada, apenas se entregar a aquele sonho.

A praia tinha uma meia dúzia de pessoas, um ou outro casal, e não fiquei grilada em estar me despindo na frente de estranhos. Os momentos que passei ali foram tão marcantes, que já me prometi voltar lá e passar alguns dias.

Se alguém me perguntar como eram as pessoas que estavam lá, sinceramente, não sei, pois o impacto daquele lugar é tão forte, que não há como você pensar em nada. Não recomendo ir no final de semana ou no verão, quando o local recebe muitos curiosos e turistas. É muita gente e algumas pessoas que, na realidade, são vouyers disfarçados de naturistas, acabam tirando um pouco do astral do lugar.

Outra coisa que aprendi em minhas andanças e conversando com as pessoas em Jacumã (bem próxima de Tambaba) é que se você está sozinha e a pé (como foi o meu caso) é desaconselhável ir de táxi até lá. Você acaba se expondo desnecessariamente a situações de risco e não vale a pena.

De qualquer forma, recomendo a tod@s: vão lá e depois digam se é ou não uma sensação única.


Voltando

Bom, chegou a hora de voltar à cidade grande. Não fico triste quando volto. Curti o máximo. Cheguei ao Rio sem chuva e, lá do alto, logo vi o Corcovado. Sempre me emociono quando vejo a minha cidade do alto. Ela é bonita pra valer.

Foi ótimo rever as pessoas, principalmente aquelas crianças hoje adultas, os sobrinhos da Naná que hoje correm atrás do seu dia a dia. Estão bonitos, fortes e sadios (parece papo de velha... He, He, He, He). Ver que elas cresceram e seguem os seus rumos.

Conhecer novas pessoas, diferentes, mas bem interessantes. Acompanhar as histórias e curtir o mar, o céu, o sol... Não quero outra vida...rs

Enfim, não sei quando serão as próximas férias, nem se voltarei a Jacumã ou São João do Cariri. Mas, foram as férias que eu pedi a Deus. Valeu e como!

sábado, 18 de outubro de 2008

Oi Pessoal,

Como falei, eis me de volta a este espaço. Aqui está uma contribuição da Zaíra. É um texto leve para a reflexão.

Um beijo,

Graca

Homo cordialis
:: Adília Belotti ::

Quando começaram a construir um condomínio horizontal no terreno baldio que havia atrás de casa, nós e nossos vizinhos entramos em pânico. Condomínios horizontais seguem regras peculiares em relação a recuos e espaços, as casas ficam muitíssimo mais próximas umas das outras. "Vai desvalorizar nosso bairro", dizia uma. "Vamos precisar vender nossas casas", apavorava-se outro. Saí daquela reunião triste, por mim, por todos. Cheguei no dentista, abri uma revista e… fui abduzida pela foto dourada de uma vila na Sicília: casas, umas sobre as outras, cobrindo uma colina cercada de mar e de humanidade empoleirada…

Comecei a rir... houve um tempo em que a noite era escura, de um jeito que a gente hoje nem imagina. Nesse tempo, dormir era uma ousadia e o corpo do outro, a respiração quente do outro, a única proteção. As cidades medievais são todas assim, casas grudadas umas nas outras, idênticas, enfileiradas nas ruas minúsculas, tortas, labirínticas, tudo truques, para driblar o medo da noite e do inimigo desconhecido que vivia em algum lugar, fora dos muros, do outro lado, depois da floresta, atrás das montanhas, no horizonte do mar…

Nada de novo debaixo do Sol, como diria o salmista. Já vivemos empoleirados. O outro nos acompanha sempre, desde sempre. Há que se viver com isso.

Mas como?

A revista européia Monocle fez um estudo entre seus leitores para descobrir como seria o bairro ideal. Juntou tudo com algumas idéias bem modernas sobre auto-sustentabilidade e economia de recursos naturais e chegou a algumas conclusões. O bairro ideal deve ter casas de tamanhos e estilos variados, misturadas com lojinhas, pelo menos um bar ou restaurante aconchegante, serviços 24h para emergências e esquecidos, supermercado (evidente), um parque, um lago, bondes, janelas em vez de ar-condicionado, escola, abastecimento de frutas e legumes através de produtores locais ou, no mínimo, próximos.

Sim, o bairro ideal… um sonho que a gente começa a construir sendo…o cidadão ideal. E é aí que entra o homo cordialis.
Uma espécie que já esteve ameaçada de extinção, mas que, a julgar pela quantidade de cursos, workshops e livros sobre "empatia", "rapport", "comunicação não-verbal", parece que anda procriando, em cativeiro, mas...
E como seria esse homem/mulher cordial, vizinhos perfeitos, cidadãos do futuro, habitantes impecáveis de um mundo apinhado e tolerante?

Vamos ver...
- dizer 'por favor', 'muito obrigado/a', 'com licença', básico.
- respeitar filas, à pé, de bicicleta ou de carro.
- ser generoso com os sorrisos.
- e muito econômico nas críticas.
- saber quando oferecer ajuda...
- e quando manter distância.
- conhecer o mundo o suficiente para apreciar seus múltiplos aspectos.
- e tolerar conviver com seres diferentes de si mesmo.
- não deve se intimidar com costumes exóticos, ao contrário, encontrar o vizinho tailandês caçando grilos ao entardecer para fritá-los no jantar deveria no máximo provocar nesse ser cordial um sorriso de cumplicidade e, eventualmente, com graça e elegância, ele poderia oferecer uma lanterna...
- precisa dominar a arte de conversar, sobre o tempo, economia, política, futebol e até religião, sem perder a expressão afável e, sobretudo, jamais, nestas situações, ameaçar seu interlocutor com a possibilidade de, a qualquer momento, transformar-se num missionário furioso.
- e saber ouvir é fundamental, numa proporção de, digamos, três perguntas realmente interessadas sobre o outro, para cada minuto de conversa sobre si mesmo.
- manter sua vida privada, privada, o que pode parecer óbvio, mas não é, algumas pessoas insistem em compartilhar suas preferências e hábitos mais íntimos, incluindo nessa longa lista de coisas para fazer apenas entre quatro paredes, singelezas, como coçar-se e arrotar, só para dar dois exemplos banais.
- evitar compartilhar com os vizinhos seus gostos musicais também é bom preceito, mas compreender que existem festas para as quais não somos convidados e elas podem acontecer bem do lado da nossa janela também é...
- exercitar o olhar direto, amistoso, ao cruzar com outros seres humanos, ousar um cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite! Ser gentil não é obrigação apenas dos políticos...
- entender que a rua, o bairro, a cidade não são exatamente "seus", são de todos, agora, o seu cachorro, ele é só seu... (isso, aliás, vale para todo o seu lixo e para o seu carro quando ele está parado na frente da garagem do outro ou em um lugar proibido, por exemplo).
- agradecer sempre e pedir desculpas, quando for o caso, o outro nem ligou? O ser cordial sabe que a maior parte das vezes em que somos de fato cordiais não é por causa do outro, é para alimentar uma sensação gostosa de que afinal estamos longe das selvas...

Tudo isso porque, você sabe, não basta escolher o prefeito e o vereador, você, e cada um de nós, precisa começar já a escolher o tipo de cidadão que gostaria de ser.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tô voltando...

Oi Pessoal,
Estive trabalhando em uma campanha eleitoral nos últimos quatro meses, daí a minha ausência. Mas, estou voltando. Aguardem.
Um beijo,
Graça

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cortejo da InSanidade

Pessoal,
Este blog - Cortejo da InSanidade (http://cortejodainsanidade.wordpress.com/) - foi escrito por uma dessas novas promessas do jornalismo tupiniquim. Seu nome é Rayssa Medeiros, ela é estudante de jornalismo lá na Paraíba, mas escreve como alguém que já se formou há alguns milhares de anos.
Leiam o texto Felicidade comprimida e depois comentem aqui e lá o que vocês acharam.
Um beijo,
Graça
PS: Um segredo: ela é minha sobrinha do Nordeste...rs

SAWABONA SHIKOBA

O texto abaixo, recebi de uma amiga, Mirian. Decidi postar aqui, porque ele é muito bonito e cala fundo. Aproveitem-no e "Sawabona Shikoba" para tod@s nós!
===============================================================

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio.

As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.

Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.

Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.

Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro,
seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.

E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes temos de aprender a nos perdoar a nós mesmos...

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer: “Eu Te respeito, eu te Valorizo, você é importante pra mim”.

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é: “Então eu existo pra você”

Texto de :: Flávio Gikovate
Médico Psicanalista

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Mudei de nome

Após ler que quem supostamente (isto é para evitar processos!) estaria por trás da saída da Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, seria a Dilma Houseff, ministra da Casa Civil, pensei: “quero morrer amiga da Dilma”.
Dazinha, rápida no gatilho, falou: “Você é amiga? Pois eu sou irmã dela!”
Dias depois, li na Istoé a movimentação política do ex-ministro José Dirceu. Pensei: “além de amiga da Dilma, tenho que ser amiga do Zédirceu e, a Dazinha, irmã dele.”
Hoje, pela manhã, decidi radicalizar: mudarei meu nome para DRAÇA, assim fica mais fácil estar mais próxima dos dois.
PS.: Dazinha não precisa mudar de nome, ela já se chama Darcy.

Ouviram do Ipiranga

A Vanda gritou de lá, das margens do Ipiranga, que o jornalismo tapuia “precisa de mais Brasil e menos Brasília”. Ela tem razão.

BAILARINA

Uma poesia infantil da Cecília Meirelles, que eu peguei lá no Blog do Nassif e que vai para a minha sobrinha linda, Victória Marina, ou apenas Vic.


Bailarina (Cecília Meirelles)

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os ohos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

ATUALIDADES (i)

Nestes tempos bicudos, onde a novidade é peça de museu, a Rosana fez questão de guardar e me dar o caderno Ela, d´Globo, do dia 26 de abril de 2008, que tem uma reportagem extensa sobre nós, lésbicas. O título não poderia ser mais provocativo: “Estou lésbica”.
Na chamada de capa está: “Histórias de jovens cariocas que procuram parceiros independentemente do sexo deles e acabam namorando mulheres”.
Não muito aleatoriamente, decidi pescar algumas frases que ilustram a matéria (apenas não colocarei o nome completo das moças). Aqui vão elas:

- Não existe sexualidade. Existem situações eróticas – diz JF, 28 anos (...)
J. é o retrato de um grupo de jovens entre 20 e 30 e poucos anos para quem definir sua sexualidade é careta demais. Ou melhor, tradicional, porque careta, na gíria delas, é mulher que só gosta de homem.

- No momento sou gay, nada é previsível. Posso conhecer um homem amanhã e me apaixonar – diz J, 26 anos.

- Nunca enxerguei esse meu desejo como um clichê homossexual. (...) Eu me apaixonei pela pessoa J, não por ela ser uma mulher. Me encantei por sua delicadeza, inteligência, sensibilidade, dificuldades, história de vida (palavras de P, namorada de J)
(Detalhe segundo a reportagem, as duas (J e P) não assumiram seu namoro perante a família: “J e P são duas mulheres que, apesar de assumidas, em seu grupo de amigos, sejam eles “caretas” ou não, esconderam o namoro da família.”)

- Foi tão legal quanto ficar com um homem, diz G (27 anos), que namora meninos e meninas.

- Ficar com mulher é mais bacana, mas transar com homens é melhor (I, 23 anos).

- Eu gosto de gente, de seres humanos bacanas – explica I (...)

Minha resposta a esta matéria d´Globo é este artigo que escrevi em junho de 2003, para o GLSPLANET, quando inaugurei a coluna Topassad@ (para acessar todos os artigos é só ir lá: www.glsplanet.com/topassad@).
Nunca pensei que eu fosse tão atual! (Ou tão arcaica – rs)


“BANDIDO É BANDIDO. POLÍCIA É POLÍCIA”

Nos anos 70, havia um ladrão de bancos que ficou famoso, principalmente, pela sua inteligência e ousadia – Lúcio Flávio, que foi o primeiro a gritar contra os policiais que começavam a extorquir bandidos. Era dele a famosa frase acima.
Lembrei-me dela nos últimos dias ao ver pipocando na mídia, artigos e matérias sobre a “nova homossexualidade” (ou será “pan-sexualidade”?) que agita o século XXI.
Para minha surpresa, vejo várias lésbicas namorando homens “descolados” e muitos gays namorando mulheres “descoladas”; “tipo assim”, que não se importam que seus pares sejam homossexuais.
Tenho 44 anos e sou da época em que “sapatão” era como chamavam todas as “mulheres que amavam outras mulheres”. O termo era (e é) pra lá de pejorativo e preconceituoso, mas naquela época mantínhamos a certeza de que sabíamos perfeitamente quem era quem, ou melhor, quem gostava de quem. Na época, era fundamental que nos apegássemos a isso, era o nosso auto-reconhecimento.
Agora, com as relações tão fluidas e superficiais, o “sapatão” ou a “bicha” (outro termo pra lá de preconceituoso) corre o risco de virar peça no museu de cera de Madame Tussot, na Inglaterra.

“Eu gosto da pessoa, da personalidade”
Então tá, ficamos todos combinados assim: dependendo da lua, da trajetória de Saturno, da cotação do dólar ou da variação da bolsa de valores, direcionamos nosso desejo sexual naquele dia. Tem dia sim, que eu quero ser lésbica e aí procuro uma garota bacana pra passar à noite. Tem dia não, que estou na TPM, e prefiro afogar minhas mágoas com um garoto legal que pintar no pedaço.
É claro que banalizei a situação, mas me parece que as relações estão banalizadas. O que importa são as sensações e não os sentimentos.
Para o movimento homossexual, creio que isso seja uma ducha de água geladíssima. Afinal, anos de luta para afirmar o respeito às diferenças, para tudo acabar num “canibalismo erótico”, sem maiores conseqüências. Parece que não há sexualidades e sim seres-objetos de consumo – o consumo do que está na moda. Então, é “fashion” ser assim.
É a solidão que faz isso? É esse apetite sexual gerado pela mídia de que todos têm que ir pra cama com 10 por dia? O que é isso, afinal? Será que se gosta de fato “da pessoa, da personalidade” ou se gosta simplesmente das sensações geradas – superficiais? -, sem nenhum envolvimento afetivo?
Repetem-se as mesmas cantilenas machistas e preconceituosas. Quem nunca ouviu lésbicas jovens criticarem “os sapatões”? Ou gays jovens dizerem que não gostam de “bichas”? Fico pra lá de incomodada (como minha avó!) com essas posturas supostamente “mudernas”, mas que encerram questões tão velhas quanto o mundo, como o preconceito e a discriminação.

Quem sou eu?
É difícil ser lésbica e ser gay nesta sociedade. Ainda é, apesar de tantas vitórias. Então, para driblar o preconceito e a discriminação, escorregamos para situações (ou relações) mais ou menos toleradas socialmente. Isso eu diria num primeiro momento.
Sinceramente, afetiva e emocionalmente, o que mais incomodaria você: ser trocada por outra ou por outro? (a mesma pergunta vale para os rapazes). Seria a traição ou a negação do seu desejo? Você se sentiria diminuída por ser mulher ou por ter sido abandonada?
Não se trata de ter pênis (para as mulheres) ou ter vagina (para os homens). Isso não fará que uma mulher torne-se lésbica ou um homem gay. Trata-se de uma relação afetiva e não uma sensação momentânea. Trata-se de viver, conviver e lidar com a pessoa, com o sentimento. É isso que está em jogo. Contudo, numa sociedade hedonista como a nossa, esse novo conceito de “homossexualidade” (e porque não dizer, de heterossexualidade também) cai como uma luva. Não há diferenças. É o corpo que impera. E se somos apenas corpo – esse objeto inanimado, sem alma, sem sentimentos, não há necessidade de identidade ou de personalidade. Somos descartáveis.
Então, vamos reclamar dos “sapatões” sempre tão masculinizados e das “bichas”, sempre tão feminilizadas. Esses corpos não servem para serem expostos nessa vitrine.
Eu estava sendo preconceituosa ao acreditar que lésbicas só podem e devem transar com outras lésbicas (o mesmo valendo para os rapazes). Esta é a outra face daquela discriminação em que jovens lésbicas e gays dizem não gostar de “sapatões” e “bichas”. Caí num rótulo, quando o principal é o que estão fazendo do meu sentimento, do meu corpo. Eles não são objetos. E aí sim, “bandido é bandido. Polícia é polícia”.

Graça Portela

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Caminhos do Coração

Andei sumida. O dia 19 de novembro de 2007 marca minha última postagem por aqui.
O sumiço tem razão de ser: estou em profundas mudanças internas, com direito a retiro de Natal (uma surpresa maravilhosa do meu Guru) e uma gana gigantesca pra viver este 2008 a 100, 200, 300 quilômetros por hora...
Pra começar aqui, escolhi uma das músicas que mais marcam a minha vida: "Caminhos do coração", do Gonzaguinha.
Luiz Gonzaga Filho é uma lembrança de Pedro II, quando ele passava em frente ao colégio, na São Francisco Xavier, com a camisa meia aberta e que o vento forte insistia em mostrar aquele corpo macérrimo. Na minha memória afetiva, ele caminhava contra o vento.
Anos mais tarde, aquela imagem voltou à minha cabeça, quando ele subiu ao palco para cantar suas canções engajadas naquele show do Riocentro - o da bomba.
Pra mim, ele era o homem coragem, aquele brasileiro que não fugia da luta.
Bem, com vcs "Caminhos do coração", a letra, que neste ano volta a marcar a minha vida.


Caminhos do Coração
Gonzaguinha



Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz

Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
E é tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar

É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate bem mais forte o coração

E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas

O coração, o coração...