Na quinta-feira (08/11), ao chegar em casa, minhas meninas (minha mãe e minha tia) assistiam à entrega do Grammy Latino, pela tv Bandeirantes.
Fiquei contente ao ver uma tv brasileira, botar no ar uma premiação voltada para os latinos (os de lá, é claro, porque o Grammy é americano).
Logo, veio a premiação brasileira - desculpem a ignorância, porque eu não sabia que o Brasil era uma categoria à parte na premiação. Achei estranho, mas segui assistindo. Quem apresentou foi a simpática Patrícia Maldonado, apresentadora da Band (transmissão da Band = apresentadora da Band, tudo a ver).
A primeira sub-categoria que a Maldonado apresentou foi a de música religiosa. Surpres@s? Eu também.
Dos cinco concorrentes, não por acaso, quatro eram evangélicos neopentecostais, da gravadora Line Records (leia-se Igreja Universal do Reino de Deus) e um era um padre católico.
Nunca pensei em ver música religiosa ser premiada. Sou da época em que os cânticos devocionais serviam para arrematar o efeito das orações naquele que orava e cantava louvando ao seu deus. Nada a ver com hits que povoam as paradas musicais, que têm ritmos variados (pagode gospel, funk gospel e por aí vai) e oferecem louvor descartável até o próximo sucesso.
Bem, pelo menos a vencedora, Aline Barros, estava lá para receber o prêmio. No mais, tirando a Daniela Mercury, que até fez um discurso reivindicando que artistas brasileiros, argentinos, bolivianos, chilenos e etc., participassem do show principal do Grammy Latino e não dos secundários, o que se viu foi um festival de ausências das estrelas brasileiras (Lobão, Lenine, Caetano Veloso, Cauby Peixoto, Zeca Pagodinho, só para citar alguns dos premiados brazucas ausentes) e lá estava a Maldonado para agradecer os prêmios em nome deles. A meu ver, esta ausência só mostra uma descortesia e tanto. Mas,....
Na premiação da categoria brasileira, uma certeza emergiu: se você quiser ser indicado ao Grammy Latino e até ganhar um, terá que fazer um acústivo MTV. Não tem erro!
Não quis e também não podia assistir mais. Fui dormir com uma sensação de que tudo é tão "fake", tão mercantilizado e ao mesmo tempo tão velho, que mesmo encoberto por um glamour, não resiste a um segundo olhar.
Que presente tão igual ao passado é este?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Valeu!