MEMÓRIAS
Aqui vai um poema de Cecília Meirelles. Ela faz parte da minha infância.
Na segunda série de uma escola pública, em São Cristóvão, meu livro "O Patinho" tinha um poeminha simples dela: "Coitado do mentiroso, mente uma vez, mente sempre. Mesmo que diga a verdade, todos lhe dizem que mente".
Lembrei-me deste versinho e de quantas vezes, no antigo primário, eu freqüentava a biblioteca da escola, uma sala no segundo andar, com livros, muitos livros, mesinhas e cadeirinhas.
Líamos Monteiro Lobato, Cecília Meirelles e Malba Tahan e tantos outros que nos encantavam. Também assistíamos ao teatrinho de marionetes.
Talvez daí venha o meu gosto pela leitura. Sempre fui uma leitora voraz, hoje muito mais moderada. Bem, deixo aqui, então, em homenagem a esta época, "Ou isto ou aquilo".
Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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