Informe ENSP
Matéria: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=19303
Pessoas que se classificam como pretas ou pardas têm maior ancestralidade europeia do que imaginam - 26/11/009
A revista americana Current Anthropology (vol. 50, nº 6, 2009) acaba de publicar um artigo sobre estudo multidisciplinar de sete pesquisadores – três deles da Fiocruz – sobre percepção de cor e raça no Brasil e suas relações com ancestralidade. O estudo inédito, financiado pelo CNPq, compara as percepções de um grupo de jovens estudantes de Nilópolis, município da Baixada Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro, em relação à sua cor, de acordo com a classificação do IBGE (branca, preta e parda), com informações genéticas. Os testes de DNA mostraram que os que se definiram como pretos ou pardos têm mais genes europeus do que imaginavam.
Dentre os autores do estudo, o antropólogo Ricardo Ventura Santos (ENSP/Fiocruz), enfatiza que o conceito de raça biologicamente é superado, mas ainda tem impacto relevante sobre a dinâmica social. Segundo ele, compreender as relações ent! re percepções culturais sobre cor/ raça e ancestralidade e as evidências genéticas é algo fundamental no presente, quando há enorme expansão das tecnologias genômicas, com grandes impactos sobre a sociedade.
Abaixo, o artigo publicado pelo jornalista Kevin Stacey, da Universidade de Chicago, traduzido e adaptado por Ruth Martins, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), resume a pesquisa, cujo artigo original, em inglês, pode ser acessado no anexo.Revista norte-americana publica estudo multidisciplinar brasileiro sobre autodefinição de cor e genética.
Um novo estudo compara as percepções pessoais de cor/raça e ancestralidade de um grupo de jovens do Rio de Janeiro. O objetivo da pesquisa multidisciplinar foi investigar as complementariedades e tensões entre as noções culturais e genéticas relacionadas com questões de cor e raça. Patrocinada pelo CNPq, a investigação incorpora abordagens da genética e da antropologia, que estabelecem um importante diálogo entre esses campos disciplinares.
A edição de dezembro da Current Anthropology (vol. 50, nº 6, 2009) traz um artigo de sete pesquisadores brasileiros, três deles da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): o sociólogo Marcos Chor Maio, da Casa de Oswaldo Cruz, os antropólogos Ricardo Ventura Santos, da Escola Nacional de Saúde Pública, e Simone Monteiro, do Instituto Oswaldo Cruz, realizaram a pesquisa com os antropólogos Peter Fry, da UFRJ, José Carlos Rodrigues, da PUC-Rio, e dos geneticistas Luciana Bastos-Rodrigues e Sergio Pena, da UFMG. "Nas últimas décadas, biólogos, especialmente os geneticistas, têm afirmado repetidamente que a noção de raça não se aplica à espécie humana," escrevem os autores. "Por outro lado”, sustentam, “cientistas sociais afirmam que o conceito de ‘raça’ é altamente significativo em termos culturais, históricos e socioeconômicos”. Por quê? “Porque molda o cotidiano das relações sociais e é um poderoso motivador para os movimentos sociais e políticos com base em recortes raciais."
Atualmente, as questões relacionadas à temática da raça, suas concepções científicas e culturais despertam muitos debates em todo o mundo, inclusive no Brasil. Os brasileiros se orgulham de sua ascendência miscigenada, fruto da relação histórica entre europeus, africanos e ameríndios. No entanto, nos últimos anos, as desigualdades raciais têm estimulado o surgimento de propostas de políticas que despertam controvérsias, como as cotas raciais para empregos em órgãos do governo e vagas para estudantes nas universidades públicas. "Ao mesmo tempo," destacam os autores, "os resultados dos estudos no campo da genética, que enfatizam a ampla miscigenação da população brasileira, têm sido divulgados nos meios de comunicação (...), e têm desempenhado um papel importante nos debates sobre a implementação de políticas públicas baseadas em raça".
Nesse contexto, os cientistas sociais e geneticistas autores do trabalho fizeram uma pesquisa com adolescent! es de uma escola técnica de ensino médio (Cefet-Química) situa! da em Nil! ópolis, na baixada fluminense, periferia do Rio de Janeiro. Em um primeiro momento da pesquisa, os alunos responderam a uma série de perguntas sobre características socioeconômicas e sobre pertencimento à cor/raça, seguindo-se a classificação do IBGE. Também foram captadas informações sobre as percepções de ancestralidade. Ainda no âmbito do estudo, os alunos forneceram amostras biológicas, a partir das quais foram realizados testes de ancestralidade genômica, com base na análise do DNA nuclear, na UFMG. Na etapa final da pesquisa, os dados de percepção de ancestralidade e dos testes genômicos foram debatidos pelos estudantes no contexto de grupos de discussão.
"Os resultados dos testes de ancestralidade genômica são bastante diferentes das estimativas de ascendência percebidas", relatam os investigadores. Em geral, os resultados dos testes genéticos mostraram que os alunos têm ascendência europeia bem mais expressiva do que pensavam.
Os estudantes que se classificaram como "pretos", por exemplo, relataram, em média, ascendência africana de 63%; ameríndia de 20% e 17% europeia. Os testes de DNA mostraram resultados bem diferentes: a ascendência europeia domina. A média é de 52% de ancestralidade europeia; 41% africana e 7% ameríndias.
Os alunos que se autoclassificaram como “pardos” referiram que teriam aproximadamente os mesmos índices de ancestralidade europeia, africana e ameríndia. O teste de ancestralidade genômica trouxe, de novo, resultados com índices mais “europeizantes”: mais de 80% em média.
Os estudantes “brancos”, que se percebiam como portadores de substancial ascendência africana e ameríndia, se defrontaram com resultados de testes genéticos que, na realidade, evidenciaram pouquíssima ancestralidade tanto africana como ameríndia.
As reações dos estudantes, diante dos resultados, foram variadas. "Os alunos que se classificaram como ‘brancos’ em geral declararam-se decepcionados com os baixos percentuais para as categorias africana e ameríndia a partir dos testes de ancestralidade genômica", escrevem os autores. Outros ficaram "desconcertados" quando verificaram que os resultados de seus testes genéticos mostraram alta ascendência europeia.
Alguns inclusive colocaram em um segundo plano a importância da evidência biológica. "Apesar da elevada percentagem de ancestralidade genômica europeia, não vou deixar de ser negro nunca!", disse uma estudante. Outro aluno recebeu a notícia com humor: "Uma menina, que havia se classificado como ‘parda’, falou sobre o desejo de ser bailarina, mas, segundo ela, o processo de admissão das companhias de balé, especialmente o balé clássico, favorece as meninas brancas", destacam os autores. "Em tom de brincadeira, ela disse que, no próximo teste de admissão, ela vai dançar com os resultados da análise genômica colados à testa, para comprovar sua ascendência predominantemente europeia."
Alguns estudantes levantaram temas relacionados com políticas públicas de recorte racial. "A minha ancestralidade genômica é 96% europeia, 1% ameríndia e 3% africana", disse um aluno. "Acho que a única coisa que muda é que eu não tenho mais a chance de conseguir a cota", ironizou.
“Neste estudo”, escrevem os autores, "ressaltamos a importância de se melhor compreender as complexas formas de como as informações genéticas são interpretadas pelo público leigo”. Os autores também discutem seus achados à luz das políticas públicas relacionadas às questões raciais, visando promover a inclusão social. Outro aspecto destacado pela equipe interdisciplinar de pesquisadores é quanto à necessidade de um maior diálogo entre as ciências biológicas (genética, em especial) e as ciências humanas em torno de complexos temas como cor, raça e ancestralidade.
Current Anthropology é dedicada à divulgação de pesquisas no campo da antropologia. A revista é publicada pela Editora da Universidade de Chicago (http://www.journals.uchicago.edu/toc/ca/current).
O artigo de Ricardo Ventura Santos e colaboradores, cujo título é “Color, race and genomic ancestry in Brazil: Dialogues between anthropology and genetics” (“Cor, raça e ancestralidade no Brasil: Diálogos entre antropologia e genética”), pode ser acessado em http://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/644532. (Imagem de capa: http://www.casadajuventude.org.br);
http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=19303
Palavras ao éter É um blog para quem tem atitude perante a vida. Ele foi criado inicialmente por minha amiga Kharla Tavares (POA/RS).
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Uma frase
Essa veio num e-mail que a Mirian me mandou. Achei-a bonita e cá coloco para a posteridade...rs
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso." (Edward Everett Hale (1823-1909)
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso." (Edward Everett Hale (1823-1909)
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Amadurecendo e não envelhecendo...
Dois textos da Lya Luft que eu recebi. Um da Vanda e outro da Susana. Apreciem.
Um beijo,
G
Setenta anos, por que não?
Lya Luft
Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida.
Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguinha, então viver é de certa forma uma desgraceira que acaba na morte.
Desse ponto de vista, a vida passa a ser uma doença crônica de prognóstico sombrio.Nessa festa sem graça, quem fica animado? Quem não se amargura?
O tempo me intriga, como tantas coisas, desde quando eu tinha uns 5 anos.
Quando esta coluna for publicada, mais ou menos por aqueles dias, estarei fazendo 70.
Primeiro, há meses, pensei numa grande festa, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos bem pequenos.
Mas pensei: bem, 70 vale a pena!
Aos poucos fui percebendo que hoje em dia fazer 70 anos é uma banalidade.
Vou reunir filhos e pouquíssimos amigos e fazer aquela festona nos 80. Ou 90.
Pois se minhas avós eram damas idosas aos 50, sempre de livro na mão lendo na poltrona junto à janela, com vestidos discretíssimos, pretos de florzinha branca (ou, em horas mais festivas, minúsculas flores ou bolinhas coloridas), hoje aos 70 estamos fazendo projetos, viajando
(pode ser simplesmente à cidade vizinha para visitar uma amiga), indo ao teatro e ao cinema, indo a restaurante (pode ser o de quilo, ali na esquina), eventualmente namorando ou casando de novo.
Ou dando risada à toa com os netos e fazendo uma excursão com os filhos.
Tudo isso sem esquecer a universidade, ou aprender a ler, ou visitar pela primeira vez uma galeria de arte, ou comer sorvete na calçada batendo papo com alguma nova amiga.
Outro dia minha neta de quase 10 anos me disse: "Você é a pessoa mais divertida que conheço, é a única avó do mundo que sai para comprar mamão e volta com um buldogue".
Era verdade. Se sou tão divertida não sei, mas gosto que me vejam não como a chata que se queixa, reclama e cobra, mas como aquela que de verdade vai comprar a fruta de que o marido mais gosta, anda com vontade de ter de novo um cachorro e entra na loja quase ao lado do mercado.
Por um acaso singular, pois não são cachorros muito comuns, ali há um filhotinho de buldogue inglês que voltou comigo para casa em lugar da fruta.
Foi batizada de Emily e virou mais uma alegria. E por que não?
Por que a passagem do tempo deveria nos tornar mais rígidas, mais chatas, mais queixosas, mais intolerantes, espantalhos dos afetos e da alegria?
"Why be normal?", dizia o adesivo que amigos meus mandaram fazer há muitos anos para colocarmos em nossos carros só pela diversão, pois no fundo não queria dizer nada além disso: em nossas vidas atribuladas, cheias de compromissos, trabalho, pouco dinheiro, cada um com seus ônus e bônus, a gente podia cometer essa transgressão tão inocente e engraçada, de ter aquele adesivo no carro.
Não precisamos ser tão incrivelmente sérios, cobrar tanto de nós, dos outros e da vida, críticos o tempo todo, vendo só o lado mais feio do mundo. Das pessoas. Da própria família. Dos amigos.
Se formos os eternos acusadores, acabaremos com um gosto amargo na boca:o amargor de nossas próprias palavras e sentimentos.
Se não soubermos rir, se tivermos desaprendido como dar uma boa risada, ficaremos com a cara hirta das máscaras das cirurgias exageradas, dos remendos e intervenções para manter ou recuperar a "beleza".
A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa.
O projeto pode ser comprar um vaso de flor e botar na janela ou na mesa, para contemplarmos beleza. Pode ser o telefonema para o velho amigo enfermo. Pode ser a reconciliação com o filho que nos magoou, ou com o pai que relegamos, quando não nos podia mais sustentar.
O afeto pode incluir uma pequena buldogue chamada Emily, para alegrar ainda mais a casa, as pessoas, sobretudo as crianças, que estão sempre por aqui, o maior presente de uma vida de apenas 70 anos.
-------------------
A idade e a mudança
Lya Luft
Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?' Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se "mudança".
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa? Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu. Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu. Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
Um beijo,
G
Setenta anos, por que não?
Lya Luft
Acho essa coisa da idade fascinante: tem a ver com o modo como lidamos com a vida.
Se a gente a considera uma ladeira que desce a partir da primeira ruga, ou do começo de barriguinha, então viver é de certa forma uma desgraceira que acaba na morte.
Desse ponto de vista, a vida passa a ser uma doença crônica de prognóstico sombrio.Nessa festa sem graça, quem fica animado? Quem não se amargura?
O tempo me intriga, como tantas coisas, desde quando eu tinha uns 5 anos.
Quando esta coluna for publicada, mais ou menos por aqueles dias, estarei fazendo 70.
Primeiro, há meses, pensei numa grande festa, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos bem pequenos.
Mas pensei: bem, 70 vale a pena!
Aos poucos fui percebendo que hoje em dia fazer 70 anos é uma banalidade.
Vou reunir filhos e pouquíssimos amigos e fazer aquela festona nos 80. Ou 90.
Pois se minhas avós eram damas idosas aos 50, sempre de livro na mão lendo na poltrona junto à janela, com vestidos discretíssimos, pretos de florzinha branca (ou, em horas mais festivas, minúsculas flores ou bolinhas coloridas), hoje aos 70 estamos fazendo projetos, viajando
(pode ser simplesmente à cidade vizinha para visitar uma amiga), indo ao teatro e ao cinema, indo a restaurante (pode ser o de quilo, ali na esquina), eventualmente namorando ou casando de novo.
Ou dando risada à toa com os netos e fazendo uma excursão com os filhos.
Tudo isso sem esquecer a universidade, ou aprender a ler, ou visitar pela primeira vez uma galeria de arte, ou comer sorvete na calçada batendo papo com alguma nova amiga.
Outro dia minha neta de quase 10 anos me disse: "Você é a pessoa mais divertida que conheço, é a única avó do mundo que sai para comprar mamão e volta com um buldogue".
Era verdade. Se sou tão divertida não sei, mas gosto que me vejam não como a chata que se queixa, reclama e cobra, mas como aquela que de verdade vai comprar a fruta de que o marido mais gosta, anda com vontade de ter de novo um cachorro e entra na loja quase ao lado do mercado.
Por um acaso singular, pois não são cachorros muito comuns, ali há um filhotinho de buldogue inglês que voltou comigo para casa em lugar da fruta.
Foi batizada de Emily e virou mais uma alegria. E por que não?
Por que a passagem do tempo deveria nos tornar mais rígidas, mais chatas, mais queixosas, mais intolerantes, espantalhos dos afetos e da alegria?
"Why be normal?", dizia o adesivo que amigos meus mandaram fazer há muitos anos para colocarmos em nossos carros só pela diversão, pois no fundo não queria dizer nada além disso: em nossas vidas atribuladas, cheias de compromissos, trabalho, pouco dinheiro, cada um com seus ônus e bônus, a gente podia cometer essa transgressão tão inocente e engraçada, de ter aquele adesivo no carro.
Não precisamos ser tão incrivelmente sérios, cobrar tanto de nós, dos outros e da vida, críticos o tempo todo, vendo só o lado mais feio do mundo. Das pessoas. Da própria família. Dos amigos.
Se formos os eternos acusadores, acabaremos com um gosto amargo na boca:o amargor de nossas próprias palavras e sentimentos.
Se não soubermos rir, se tivermos desaprendido como dar uma boa risada, ficaremos com a cara hirta das máscaras das cirurgias exageradas, dos remendos e intervenções para manter ou recuperar a "beleza".
A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa.
O projeto pode ser comprar um vaso de flor e botar na janela ou na mesa, para contemplarmos beleza. Pode ser o telefonema para o velho amigo enfermo. Pode ser a reconciliação com o filho que nos magoou, ou com o pai que relegamos, quando não nos podia mais sustentar.
O afeto pode incluir uma pequena buldogue chamada Emily, para alegrar ainda mais a casa, as pessoas, sobretudo as crianças, que estão sempre por aqui, o maior presente de uma vida de apenas 70 anos.
-------------------
A idade e a mudança
Lya Luft
Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma platéia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.
Foi um momento inesquecível... A platéia inteira fez um 'oooohh' de descrédito. Aí fiquei pensando: 'pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho?
Onde é que nós estamos?' Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado 'juventude eterna'. Estão todos em busca da reversão do tempo.
Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.
Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada. A fonte da juventude chama-se "mudança".
De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos.
Mudança, o que vem a ser tal coisa? Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho.
Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu. Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.
Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu. Toda mudança cobra um alto preço emocional.
Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza.
Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna.
Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.
Olhe-se no espelho...
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
UMA AMOR PRA TODA VIDA
Esta foi postada no grupo do Umas & Outras, pela Bau. Mais um presente de primavera!
Um beijo,
Graça
Uma história pura: jovens, gays e casadas aos 90
01/08/2009
Gustavo Miranda e Nina Ferri
O twitter nos entregou uma história publicada no Herald Tribune que merece ser conhecida, pelo que revela e pelo que representa. A matéria que tomamos a liberdade de traduzir conta a vida de um casal de lésbicas, Leto e Magazzu, juntas há 70 anos. Isso mesmo! 70 anos de amor, descobertas, confidências, conflitos, brigas, ciúmes, harmonia, carinho, amizade, confiança e todos os sentimentos que integram um relacionamento de verdade.
Além de ser um marco chegar aos quase 100 anos de idade juntas, a história dessas duas mulheres tem um ingrediente a mais. Resistiu ao preconceito do passado e resiste ao do presente. Sim, porque mesmo depois de tantas décadas Leto e Magazzu ainda são vítimas daquilo que consideramos um dos maiores males da sociedade. Um bom exemplo do que estamos falando pode ser visto na reação de um leitor do Herald Tribune que chegou afirmar que “gays são doentes”, assim como a reação dos apoiadores da psicóloga Rozângela Justino, que foi punida ontem por oferecer "cura" aos gays.
Fica fácil entender porque elas mantiveram sua união em segredo durante tanto tempo. Aliás, essa fantástica história de amor e a reação que ela ainda causa em algumas pessoas nos dá uma excelente oportunidade de reflexão e conclusão de que somos um universo de tipos diferentes: casados, solteiros, honestos, desonestos, legais, chatos. Mas que acima de tudo somos humanos e merecemos, assim como essas duas mulheres, respeito.
Vejam agora a história dessas duas jovens gays numa tradução adaptada: Sim, casais formados por pessoas com 90 anos ainda discutem ocasionalmente. O exemplo pode ser visto no sofá da casa de Caroline Leto e Venera Magazzu: "Não vamos ter uma festa", diz Magazzu, de 97 anos, argumentando que elas são muito idosas para esse tipo de coisa. "Sim, nós somos", responde Leto, de 96, que admite que as duas podem ainda dançar polka.
Uma festa celebrando os 70 anos juntos é um marco para qualquer casal. Especialmente para essas duas senhoras, considerando que elas tiveram de silenciar sobre a história de amor delas durante décadas. "Você simplesmente não podia dizer para todo mundo que nós éramos amantes", contou Leto. "Você diz para as pessoas que somos amigas, algumas pensam que éramos irmãs".
Leto e Magazzu ignoram seu pioneirismo na comunidade gay e lésbica. Mas muitos dos seus amigos e parentes reforçam o seu papel, apontando para o fato de como o amor das duas foi capaz de transcender o tempo, cheio de obstáculos. Para celebrar o amor das duas, membros da Etz Chaim, uma associação de gays e lésbicas em Wilton Manors, estão planejando uma festa. Eles esperam que Leto e Magazzu atendam ao pedido e mostrem a todos como dançar a polka."Honestamente, eu acho que as duas estão mais apaixonadas do que no passado", afirma um amigo pessoal do casal. "Olhe para os casais heterossexuais. Você tem sorte se ainda permanece casado após sete anos. Esta é uma história de amor incrível".
Em 1939, Leto e Magazzu se conheceram em uma festa em Nova York. Leto achou Magazzu estilosa, que a considerou divertida. Um ano depois, Magazzu, professora, e Leto, operadora de telégrafo, mudaram-se para uma humilde casa, em Nova York. Elas passaram a maior parte da vida lá, com poucos parentes e amigos próximos sabendo sobre o relacionamento.
Magazzu conta que sempre brigou para contar para as outras pessoas, mas que temia o que elas poderiam pensar. Ela acredita que a sociedade daquela época era muito mais receptiva a duas mulheres que moram juntas do que a dois homens – e também bem menos inquisitiva.
"Eu acho que a maior parte das pessoas desconfiava, mas nunca fizeram escândalo sobre isso porque éramos apenas duas mulheres", disse. "Eles não perguntavam, e nós simplesmente não falávamos".
A sobrinha de Leto, Patricia Dillion, contou que cresceu acreditando que as duas fossem irmãs e sempre se referiu a elas como tias. Leto contou o "segredo" a ela durante uma festa de família. "Ela mencionou que elas tinham se casado", disse Dillion. "Eu fiquei tão feliz, mas depois fiquei pensando em todo o tempo que elas não puderam admitir isso".
Em 1996, as duas se registraram como parceiras em Nova York. Elas contam que fizeram isso porque sentiram que precisavam contar a todos sobre a sua vida juntas.
Anos depois, se mudaram para a Flórida, quando se tornaram mais ativas na comunidade LGBT, servindo de exemplo para os ativistas. Além disso, passaram a levar a vida de qualquer jovem aposentado na Flórida: viajando em cruzeiros, jogando pôquer com os amigos. Adotaram um animal de estimação, um macaco chamado Chi-Chi.Em 2006, com uma desacelerada normal causada pelo avanço da idade, Magazzu colocou no papel a história delas, num livro chamado An Unadulterated Story: Young and Gay at 90 (Uma história pura: jovem e gay aos 90).
Durante a entrevista que originou a matéria do Herald Tribune, o repórter presenciou um fato curioso: as duas discutindo sobre onde estava um exemplar do livro. Magazzu insistia que estava no quarto. Leto, que havia visto no bagageiro do carro."Ok, então se você sabe onde está tudo, vá lá e pegue", provocou Magazzu, enquanto apelava a uma busca na cozinha. Leto apenas sorriu e disparou: "Meiga, não?"
Um beijo,
Graça
Uma história pura: jovens, gays e casadas aos 90
01/08/2009
Gustavo Miranda e Nina Ferri
O twitter nos entregou uma história publicada no Herald Tribune que merece ser conhecida, pelo que revela e pelo que representa. A matéria que tomamos a liberdade de traduzir conta a vida de um casal de lésbicas, Leto e Magazzu, juntas há 70 anos. Isso mesmo! 70 anos de amor, descobertas, confidências, conflitos, brigas, ciúmes, harmonia, carinho, amizade, confiança e todos os sentimentos que integram um relacionamento de verdade.
Além de ser um marco chegar aos quase 100 anos de idade juntas, a história dessas duas mulheres tem um ingrediente a mais. Resistiu ao preconceito do passado e resiste ao do presente. Sim, porque mesmo depois de tantas décadas Leto e Magazzu ainda são vítimas daquilo que consideramos um dos maiores males da sociedade. Um bom exemplo do que estamos falando pode ser visto na reação de um leitor do Herald Tribune que chegou afirmar que “gays são doentes”, assim como a reação dos apoiadores da psicóloga Rozângela Justino, que foi punida ontem por oferecer "cura" aos gays.
Fica fácil entender porque elas mantiveram sua união em segredo durante tanto tempo. Aliás, essa fantástica história de amor e a reação que ela ainda causa em algumas pessoas nos dá uma excelente oportunidade de reflexão e conclusão de que somos um universo de tipos diferentes: casados, solteiros, honestos, desonestos, legais, chatos. Mas que acima de tudo somos humanos e merecemos, assim como essas duas mulheres, respeito.
Vejam agora a história dessas duas jovens gays numa tradução adaptada: Sim, casais formados por pessoas com 90 anos ainda discutem ocasionalmente. O exemplo pode ser visto no sofá da casa de Caroline Leto e Venera Magazzu: "Não vamos ter uma festa", diz Magazzu, de 97 anos, argumentando que elas são muito idosas para esse tipo de coisa. "Sim, nós somos", responde Leto, de 96, que admite que as duas podem ainda dançar polka.
Uma festa celebrando os 70 anos juntos é um marco para qualquer casal. Especialmente para essas duas senhoras, considerando que elas tiveram de silenciar sobre a história de amor delas durante décadas. "Você simplesmente não podia dizer para todo mundo que nós éramos amantes", contou Leto. "Você diz para as pessoas que somos amigas, algumas pensam que éramos irmãs".
Leto e Magazzu ignoram seu pioneirismo na comunidade gay e lésbica. Mas muitos dos seus amigos e parentes reforçam o seu papel, apontando para o fato de como o amor das duas foi capaz de transcender o tempo, cheio de obstáculos. Para celebrar o amor das duas, membros da Etz Chaim, uma associação de gays e lésbicas em Wilton Manors, estão planejando uma festa. Eles esperam que Leto e Magazzu atendam ao pedido e mostrem a todos como dançar a polka."Honestamente, eu acho que as duas estão mais apaixonadas do que no passado", afirma um amigo pessoal do casal. "Olhe para os casais heterossexuais. Você tem sorte se ainda permanece casado após sete anos. Esta é uma história de amor incrível".
Em 1939, Leto e Magazzu se conheceram em uma festa em Nova York. Leto achou Magazzu estilosa, que a considerou divertida. Um ano depois, Magazzu, professora, e Leto, operadora de telégrafo, mudaram-se para uma humilde casa, em Nova York. Elas passaram a maior parte da vida lá, com poucos parentes e amigos próximos sabendo sobre o relacionamento.
Magazzu conta que sempre brigou para contar para as outras pessoas, mas que temia o que elas poderiam pensar. Ela acredita que a sociedade daquela época era muito mais receptiva a duas mulheres que moram juntas do que a dois homens – e também bem menos inquisitiva.
"Eu acho que a maior parte das pessoas desconfiava, mas nunca fizeram escândalo sobre isso porque éramos apenas duas mulheres", disse. "Eles não perguntavam, e nós simplesmente não falávamos".
A sobrinha de Leto, Patricia Dillion, contou que cresceu acreditando que as duas fossem irmãs e sempre se referiu a elas como tias. Leto contou o "segredo" a ela durante uma festa de família. "Ela mencionou que elas tinham se casado", disse Dillion. "Eu fiquei tão feliz, mas depois fiquei pensando em todo o tempo que elas não puderam admitir isso".
Em 1996, as duas se registraram como parceiras em Nova York. Elas contam que fizeram isso porque sentiram que precisavam contar a todos sobre a sua vida juntas.
Anos depois, se mudaram para a Flórida, quando se tornaram mais ativas na comunidade LGBT, servindo de exemplo para os ativistas. Além disso, passaram a levar a vida de qualquer jovem aposentado na Flórida: viajando em cruzeiros, jogando pôquer com os amigos. Adotaram um animal de estimação, um macaco chamado Chi-Chi.Em 2006, com uma desacelerada normal causada pelo avanço da idade, Magazzu colocou no papel a história delas, num livro chamado An Unadulterated Story: Young and Gay at 90 (Uma história pura: jovem e gay aos 90).
Durante a entrevista que originou a matéria do Herald Tribune, o repórter presenciou um fato curioso: as duas discutindo sobre onde estava um exemplar do livro. Magazzu insistia que estava no quarto. Leto, que havia visto no bagageiro do carro."Ok, então se você sabe onde está tudo, vá lá e pegue", provocou Magazzu, enquanto apelava a uma busca na cozinha. Leto apenas sorriu e disparou: "Meiga, não?"
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Série espanhola Chica busca Chica
Um presente da Betha, minha amiga lá de POA.
Espero que gostem (há outros lá no YouTube)
O link é http://www.youtube.com/watch?v=Mwg_h-sR63c&feature=player_embedded
Espero que gostem (há outros lá no YouTube)
O link é http://www.youtube.com/watch?v=Mwg_h-sR63c&feature=player_embedded
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Mais duas músicas
Sábado, Fevereiro 12, 2005 (outra do antigo QA).
Quantas vezes sou a seta. Quantas vezes sou o alvo. - Graça
A SETA E O ALVO
(Paulinho Moska e Nilo Romero)
Eu falo de amor à vida, você de medo da morte
Eu falo da força do acaso e você, de azar ou sorte
Eu ando num labirinto e você, numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa mas você só quer atingir sua meta
Sua meta é a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu olho pro infinito e você, de óculos escuros
Eu digo: "Te amo" e você só acredita quando eu juro
Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o que era
E o que era ? Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade, e você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro, e você se satisfaz com metade
É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada ?
(solo)Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
-------------------
Acho que ainda vou me tornar fã da ZD. A música é "Ambição", da minha querida Rita Lee e está no cd Pelo sabor do gesto.
AMBIÇÃO (Rita Lee, canta ZD)
Eu saí pra estrada
E não tenho pra onde ir
Sempre ouvi dizer
Que esse mundo era pequeno
Pelo caminho de espinhos
Avistei um mar de rosas
Pra chegar até lá
Eu preciso um pouco mais de tempo
Preciso de um grande amor
Preciso dinheiro, preciso de humor
Eu quero matar a vontade
Enquanto tenho saúde e idade
Fazer um pouco de tudo
Manter a alma
Pra poder ganhar o meu mundo
Quantas vezes sou a seta. Quantas vezes sou o alvo. - Graça
A SETA E O ALVO
(Paulinho Moska e Nilo Romero)
Eu falo de amor à vida, você de medo da morte
Eu falo da força do acaso e você, de azar ou sorte
Eu ando num labirinto e você, numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa mas você só quer atingir sua meta
Sua meta é a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu olho pro infinito e você, de óculos escuros
Eu digo: "Te amo" e você só acredita quando eu juro
Eu lanço minha alma no espaço, você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro e você só lamenta não ser o que era
E o que era ? Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade, e você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro, e você se satisfaz com metade
É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada ?
(solo)Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
-------------------
Acho que ainda vou me tornar fã da ZD. A música é "Ambição", da minha querida Rita Lee e está no cd Pelo sabor do gesto.
AMBIÇÃO (Rita Lee, canta ZD)
Eu saí pra estrada
E não tenho pra onde ir
Sempre ouvi dizer
Que esse mundo era pequeno
Pelo caminho de espinhos
Avistei um mar de rosas
Pra chegar até lá
Eu preciso um pouco mais de tempo
Preciso de um grande amor
Preciso dinheiro, preciso de humor
Eu quero matar a vontade
Enquanto tenho saúde e idade
Fazer um pouco de tudo
Manter a alma
Pra poder ganhar o meu mundo
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