sábado, 18 de outubro de 2008

Oi Pessoal,

Como falei, eis me de volta a este espaço. Aqui está uma contribuição da Zaíra. É um texto leve para a reflexão.

Um beijo,

Graca

Homo cordialis
:: Adília Belotti ::

Quando começaram a construir um condomínio horizontal no terreno baldio que havia atrás de casa, nós e nossos vizinhos entramos em pânico. Condomínios horizontais seguem regras peculiares em relação a recuos e espaços, as casas ficam muitíssimo mais próximas umas das outras. "Vai desvalorizar nosso bairro", dizia uma. "Vamos precisar vender nossas casas", apavorava-se outro. Saí daquela reunião triste, por mim, por todos. Cheguei no dentista, abri uma revista e… fui abduzida pela foto dourada de uma vila na Sicília: casas, umas sobre as outras, cobrindo uma colina cercada de mar e de humanidade empoleirada…

Comecei a rir... houve um tempo em que a noite era escura, de um jeito que a gente hoje nem imagina. Nesse tempo, dormir era uma ousadia e o corpo do outro, a respiração quente do outro, a única proteção. As cidades medievais são todas assim, casas grudadas umas nas outras, idênticas, enfileiradas nas ruas minúsculas, tortas, labirínticas, tudo truques, para driblar o medo da noite e do inimigo desconhecido que vivia em algum lugar, fora dos muros, do outro lado, depois da floresta, atrás das montanhas, no horizonte do mar…

Nada de novo debaixo do Sol, como diria o salmista. Já vivemos empoleirados. O outro nos acompanha sempre, desde sempre. Há que se viver com isso.

Mas como?

A revista européia Monocle fez um estudo entre seus leitores para descobrir como seria o bairro ideal. Juntou tudo com algumas idéias bem modernas sobre auto-sustentabilidade e economia de recursos naturais e chegou a algumas conclusões. O bairro ideal deve ter casas de tamanhos e estilos variados, misturadas com lojinhas, pelo menos um bar ou restaurante aconchegante, serviços 24h para emergências e esquecidos, supermercado (evidente), um parque, um lago, bondes, janelas em vez de ar-condicionado, escola, abastecimento de frutas e legumes através de produtores locais ou, no mínimo, próximos.

Sim, o bairro ideal… um sonho que a gente começa a construir sendo…o cidadão ideal. E é aí que entra o homo cordialis.
Uma espécie que já esteve ameaçada de extinção, mas que, a julgar pela quantidade de cursos, workshops e livros sobre "empatia", "rapport", "comunicação não-verbal", parece que anda procriando, em cativeiro, mas...
E como seria esse homem/mulher cordial, vizinhos perfeitos, cidadãos do futuro, habitantes impecáveis de um mundo apinhado e tolerante?

Vamos ver...
- dizer 'por favor', 'muito obrigado/a', 'com licença', básico.
- respeitar filas, à pé, de bicicleta ou de carro.
- ser generoso com os sorrisos.
- e muito econômico nas críticas.
- saber quando oferecer ajuda...
- e quando manter distância.
- conhecer o mundo o suficiente para apreciar seus múltiplos aspectos.
- e tolerar conviver com seres diferentes de si mesmo.
- não deve se intimidar com costumes exóticos, ao contrário, encontrar o vizinho tailandês caçando grilos ao entardecer para fritá-los no jantar deveria no máximo provocar nesse ser cordial um sorriso de cumplicidade e, eventualmente, com graça e elegância, ele poderia oferecer uma lanterna...
- precisa dominar a arte de conversar, sobre o tempo, economia, política, futebol e até religião, sem perder a expressão afável e, sobretudo, jamais, nestas situações, ameaçar seu interlocutor com a possibilidade de, a qualquer momento, transformar-se num missionário furioso.
- e saber ouvir é fundamental, numa proporção de, digamos, três perguntas realmente interessadas sobre o outro, para cada minuto de conversa sobre si mesmo.
- manter sua vida privada, privada, o que pode parecer óbvio, mas não é, algumas pessoas insistem em compartilhar suas preferências e hábitos mais íntimos, incluindo nessa longa lista de coisas para fazer apenas entre quatro paredes, singelezas, como coçar-se e arrotar, só para dar dois exemplos banais.
- evitar compartilhar com os vizinhos seus gostos musicais também é bom preceito, mas compreender que existem festas para as quais não somos convidados e elas podem acontecer bem do lado da nossa janela também é...
- exercitar o olhar direto, amistoso, ao cruzar com outros seres humanos, ousar um cumprimento: bom dia, boa tarde, boa noite! Ser gentil não é obrigação apenas dos políticos...
- entender que a rua, o bairro, a cidade não são exatamente "seus", são de todos, agora, o seu cachorro, ele é só seu... (isso, aliás, vale para todo o seu lixo e para o seu carro quando ele está parado na frente da garagem do outro ou em um lugar proibido, por exemplo).
- agradecer sempre e pedir desculpas, quando for o caso, o outro nem ligou? O ser cordial sabe que a maior parte das vezes em que somos de fato cordiais não é por causa do outro, é para alimentar uma sensação gostosa de que afinal estamos longe das selvas...

Tudo isso porque, você sabe, não basta escolher o prefeito e o vereador, você, e cada um de nós, precisa começar já a escolher o tipo de cidadão que gostaria de ser.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tô voltando...

Oi Pessoal,
Estive trabalhando em uma campanha eleitoral nos últimos quatro meses, daí a minha ausência. Mas, estou voltando. Aguardem.
Um beijo,
Graça

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cortejo da InSanidade

Pessoal,
Este blog - Cortejo da InSanidade (http://cortejodainsanidade.wordpress.com/) - foi escrito por uma dessas novas promessas do jornalismo tupiniquim. Seu nome é Rayssa Medeiros, ela é estudante de jornalismo lá na Paraíba, mas escreve como alguém que já se formou há alguns milhares de anos.
Leiam o texto Felicidade comprimida e depois comentem aqui e lá o que vocês acharam.
Um beijo,
Graça
PS: Um segredo: ela é minha sobrinha do Nordeste...rs

SAWABONA SHIKOBA

O texto abaixo, recebi de uma amiga, Mirian. Decidi postar aqui, porque ele é muito bonito e cala fundo. Aproveitem-no e "Sawabona Shikoba" para tod@s nós!
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Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio.

As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.

Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.

Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.

Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.
Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma.
É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro,
seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.

E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade.

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes temos de aprender a nos perdoar a nós mesmos...

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer: “Eu Te respeito, eu te Valorizo, você é importante pra mim”.

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é: “Então eu existo pra você”

Texto de :: Flávio Gikovate
Médico Psicanalista

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Mudei de nome

Após ler que quem supostamente (isto é para evitar processos!) estaria por trás da saída da Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, seria a Dilma Houseff, ministra da Casa Civil, pensei: “quero morrer amiga da Dilma”.
Dazinha, rápida no gatilho, falou: “Você é amiga? Pois eu sou irmã dela!”
Dias depois, li na Istoé a movimentação política do ex-ministro José Dirceu. Pensei: “além de amiga da Dilma, tenho que ser amiga do Zédirceu e, a Dazinha, irmã dele.”
Hoje, pela manhã, decidi radicalizar: mudarei meu nome para DRAÇA, assim fica mais fácil estar mais próxima dos dois.
PS.: Dazinha não precisa mudar de nome, ela já se chama Darcy.

Ouviram do Ipiranga

A Vanda gritou de lá, das margens do Ipiranga, que o jornalismo tapuia “precisa de mais Brasil e menos Brasília”. Ela tem razão.

BAILARINA

Uma poesia infantil da Cecília Meirelles, que eu peguei lá no Blog do Nassif e que vai para a minha sobrinha linda, Victória Marina, ou apenas Vic.


Bailarina (Cecília Meirelles)

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os ohos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.