segunda-feira, 22 de junho de 2009

QUEM É LOUCO, AFINAL ???

Pessoal,

Essa foi uma contribuição da Izilda, lá da lista do Umas & Outras, e que eu achei interessante em replicar por aqui.
Ótimo dia a tod@s,
Graça


*QUEM É LOUCO, AFINAL ???
*(Rubem Alves)

“Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental.
Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto.
E eu também pensei. Tanto que aceitei.
Mas foi só parar para pensar para me arrepender.
Percebi que nada sabia.
Eu me explico.
Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, dentro do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma.
Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski.
E logo me assustei.
Nietzsche ficou louco.
Fernando Pessoa era dado à bebida.
Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia.
Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica.
Maiakovski suicidou-se.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.
Mas será que tinham saúde mental?

Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, previsíveis, sempre iguais, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado;
nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, bastar fazer o quefez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa....
Não, saúde mental elas não tinham.
Eram lúcidas demais para isso.
Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.
Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.
Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa.
Por outro lado, nunca ouvi falar de político que tivesse estresse ou depressão.
Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores.
O funcionamento dos computadores, como todos sabem, requer a interação de duas partes.
Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra se denomina
software, "equipamento macio".
O hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho éfeito.
O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formamos programas e são gravados nos disquetes.
Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso.
O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória.
Do mesmo jeito, como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais" , e o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.
Nós também.
Quando o nosso hardware fica louco faz-se necessário chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o quese estragou.
Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.
Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele.
Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso dos símbolos.
Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal.
Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.

Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que seu software produz.
Pois não é isso que acontece conosco?
Ouvimos uma música e choramos.
Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado.

Imagine um aparelho de som.
Imagine que o toca-discos e os acessórios(o hardware)tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover.
Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!
Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio: a música que saía de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou.

Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, saúde mental atéo fim dos seus dias.
Opte por um software modesto.
Evite as coisas belas e comoventes.
A beleza é perigosa para o hardware.
Cuidado com a música.
Brahms e Mahler são especialmente contra-indicados.
Já o rock pode ser tomado à vontade.
Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar.
Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento.
Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito.
Devem ser lidos diariamente.
Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais.
E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é.
E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, só então, realizar os seus sonhos.
Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram."

Em tempo: Eu, Graça, adoro rock, mas também música clássica!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Elegância ou Respeito ou Educação - Qual a palavra mais apropriada?

A minha amiga Vanda (de SP), excelente jornalista agora aposentada, me mandou esse texto da Martha Medeiros, escritora de POA, no formato pps (Power Point). Eu transformei em texto.

Antes, algumas palavras. A Martha considera "elegância" algo que para mim é respeito ao outro ou educação, e que deveria continuar sendo natural em tod@s, independentemente de classe social, conta (ou não) bancária, estudo e o que mais der para definir.

Nessa segunda-feira (15/06), acabei pegando o ônibus errado e descendo bem longe de casa. Como no caminho havia um supermercado, decidi comprar algumas coisas que estavam faltando em casa.

Meus amigos já conhecem a minha aversão a supermercados e shoppings. Portanto, vou na base da obrigação e resmungando comigo mesma, e não esperem de mim nenhuma animação - "ó céus, ó vida".

Duas cenas que presenciei chamaram a minha atenção. A primeira foi quando uma senhora com o seu carrinho de compras quis passar para o outro corredor e uma jovem conversava com a mãe, alertando-a para comprar um outro produto. A senhora ríspidamente falou: "Mocinha, quer sair da minha frente!"

Eu e mais outra senhora que aguardávamos a nossa vez de passar, em sentido contrário, ficamos surpresas com a impaciência da senhora. A senhora do carrinho repetiu mais uma vez até que a menina ouviu e, espantada com a rispidez, abriu caminho. A senhora passou e não me contive em comentar com a minha colega de infortúnio que assistira toda aquela cena: "Na minha juventude, as pessoas diziam 'com licença'; aliás, minha mãe me ensinou assim."

Cinco minutos depois, sou de novo testemunha de outra cena envolvendo mais um jovem da terceira idade. Dessa vez, uma senhorinha entregava ao seu esposo alguns mantimentos para que ele colocasse no seu carrinho de compras. Num dado momento, o marido deixou cair um pacote de biscoito cream cracker. Ao tentar se abaixar para pegar (nem tive tempo, pois o velhinho era muito ágil), uma outra senhora, na contramão, simplesmente empurrou seu carrinho de compras sobre o biscoito, quase atropelando o velhinho. Felizmente, nada aconteceu e a moça que vinha logo atrás - também surpresa com o que ocorreu - tratou de pegar o biscoito.

O velhinho olhou para nós e disse: "viu? Ela quase me atropelou!". Optei por nada dizer, mas saí do supermercado com a certeza de que reclamamos demais que o mundo está ruim, que as pessoas perderam a educação e o respeito, mas esquecemos de prestar a atenção em atos pequenos do nosso dia a dia, que contribuem e muito para esse mesmo mundo piorar.

Graça


Avec Elegance
Martha Medeiros

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo,a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens...

Abrir a porta para alguém é muito elegante...

Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante...

Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

Oferecer ajuda... é muito elegante...

Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

FORMATAÇÃO: Mima (Wilma) Badan
mimabadan@hotmail.com


A palavra da Vanda é...

From: Vanda Frias
To: Graça
Sent: Friday, June 12, 2009 7:24 AM
Subject: Minha pátria é minha língua
Graça, pra variar não consegui colocar no blog. você coloca lá?? beijos. Vanda.

Procurei primeiro achar uma palavra.
Simplesmente impossível. Depois tentei fazer uma lista com dez. Também foi se revelando impossível. Fiz e refiz a lista, trocando uma palavra por outra num processo sem fim.
Por isso, resolvi seguir no caminho proposto pela Graça. Colocar apenas uma palavra, a que tem a sonoridade mais linda na língua portuguesa. Ela resume minha paixão por palavras: ALUMBRAMENTO
Alumbramento segundo o Aurélio: deslumbramento, maravilhamento; inspiração, iluminação; inspiração sobrenatural, iluminismo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A palavra da Thaís é...

Oi Graça,

Adorei o blog...

posso dizer qual é a minha palavra?

A minha é caráter. É uma palavra bonita, forte, mas infelizmente ela está "fora de moda" em detrimento de "impressão"... acredito que cada vez menos as pessoas se preocupam com o caráter para se preocupar com o que elas aparentam, com o que as demais pessoas pensam a respeito dela.

Será que posso HUMILDEMENTE, (rs) pedir p vc postar minha palavra lá???

Abraços e saudade, Thaís

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Os vídeos da Rayssa

Pessoal,
Aqui vão dois vídeos feitos pela Rayssa, minha "sobrinha" lá da Paraíba. Ela está se formando em jornalismo e eu acredito que será uma daquelas profissionais que a gente nunca esquece.
Decidi postar aqui dois vídeos que ela fez (com a turma da faculdade) para vocês avaliarem o trabalho dela.
Podem usar os comentários pra falar a respeito!


"Esse é o link do vídeo experimental do meu grupo para a disciplina de telecinejornalismo.
Antes dos trabalhos jornalísticos, o professor nos pede dois clipes, um de imagens paradas e um de imagens em movimento, para que nós possamos ganhar intimidade com a câmera, experimentar e etc.

Esse Link é o de imagens paradas, fizemos em stopmotion com, uma das minhas músicas preferidas dos beatles, "when I'm 64":
http://www.youtube.com/watch?v=O8fFBFDultg

Esse link é o de imagens em movimento que fizemos mais cômico (para não dizer tosco), com a versão de Los Hermanos para "Vou tirar Você desse Lugar".
http://www.youtube.com/watch?v=H9jnl1H7xM0

Divirta-se! Beijos!
Rayssa Medeiros"

A palavra da Regina Célia é...

Vida é TUDO, Graça!!!
A minha palavra predileta é "perseverança".
Um abraco,
Regina Celia

A palavra da Rebeca é...


A minha palavra favorita é Feliz; nao não é felicidade, é Feliz, é q feliz me lembra que nao é possivel ter uma felicidade plena e eterna, afinal existem momentos na vida em que ficamos tristes, entao eu gosto de feliz, porque me lembra momentos felizes, e me lembra tbm o Feliz da branca de neve, hihihi, olha como ele é fofo:


tah favoritada, dps vá no meu blog

Rebeca


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A palavra da Rayssa é...

A minha acho que pega (pêga, continua valendo? eu prefiro com o circunflexo =D) assim de surpresa, tomada de assalto, atualmente, minha palavra preferida é lirismo.
Tanto a sonoridade quanto o significado dela me agradam.
Uma linda palavra! :D Lirismo
Rayssa Medeiros

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A palavra da Mirian é...

Olá Graça,

Coloca lá no seu blog para mim. Obrigada!!


Estas são minhas palavras atuais:

SILÊNCIO =
1. Estado de quem se abstém de falar.
2. Cessação de ruído.
3. Interrupção de correspondência.
4. Omissão de uma explicação.
5. Sossego.

PAZ =
1. Quietação de ânimo.
2. Sossego, tranquilidade.
3. Ausência de guerra, de dissensões.
4. Boa harmonia.
5. Concórdia, reconciliação.
6. Paciência, pachorra.

Valeu,

Mirian

A palavra da Eliane é...

Olá!
To pegando o embalo e escrevendo aqui mesmo...
Deus - Mestres - Paz - amor - compaixão - servir - perdão - verde - amarelo - azul - arvore - rio - cachoeira - abissal - água - mar - cachorro - e GRATIDÃO!
Abração
Eliane

A minha palavra é...

VIDA!!!!
Essa é a minha palavra. Graça

Qual a sua palavra predileta?

Oi Pessoal,

Aproveitando a idéia de uma colega lá da Self, a Eliane, vou ver se uso e abuso mais do meu blog por cá. Pra começar, depois da notícia da filha do Raúl Castro, lá de Cuba, segue essa que achei interessante e vou copiar por aqui.

Deixo a pergunta no ar: qual a sua palavra predileta?

Como a pergunta me pegou assim de chofre (sim, existe essa palavra), não sei ainda o que responder. E vocês?
Um beijo,
Graça
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Enviado por Aydano André Motta - Blog do Ancelmo Góis - O GLOBO
2.6.2009 11h03m

Dicionário amoroso
A palavra predileta
Qual a sua palavra favorita na língua portuguesa? Foi o desafio proposto a 35 autores do idioma, de cinco países diferentes, para o "Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa", organizado pelo bamba Marcelo Moutinho e pelo editor português Jorge Reis-Sá, que sai agora, pela Casa da Palavra.
Entre os 35 autores, estão desde jovens cujo talento desponta já nos primeiros livros a autores que, reconhecidos por público e crítica, ganharam prêmios literários como o Portugal Telecom, o José Saramago, o Jabuti e o Machado de Assis. Eles escolheram 35 palavras diferentes e tiveram a liberdade de trabalhá-las da forma que preferissem - contos, poemas, ensaios -, desde que expressassem uma sintonia de sentimentos por meio das letras.
Orientação segura: não dá para perder.

Uma das obras...
Leia um trecho de "Casa", de Fabrício Carpinejar:
A palavra casa foi centro de meu primeiro poema falso. O primeiro poema roubado. Meu pai ainda diz que falei quando pequeno o verso “a casa da árvore é a casa de Deus”. Quem disse foi o meu irmão Rodrigo, dois anos mais velho, e não adianta convencê-lo. Sempre que alguém me empresta um verso, não devolvo. Fico constrangido em negar. A vaidade não conta os trocos. Casa é a palavra mais bonita da língua portuguesa, porque é a mais usada e não perde seu viço. Casa é onde e quando. Junta as pessoas, junta duas escovas de dente, junta fotos e canetas, junta sapatos, junta dores e alegrias. Morre-se por uma casa, para pagar uma casa, para merecer uma casa. No casamento, o corpo se sente desobrigado a fazer tudo sozinho. O corpo casa com a casa. Toda mulher é uma casa dentro da casa. Com uma mulher dentro, a casa se torna na verdade um quarto. Ao sair do banho, a mulher é um bosque perfumado. Posso passar toneladas de xampu, de sabonete, de creme e não irei repetir a fragrância. A casa é uma mulher saindo do chuveiro. O perfume grosso de casca de árvore, não de pólen. (...)

E o lançamento...
É hoje, às 19h30, na Travessa de Ipanema.

Direto de Cuba...

Una Castro impulsa en Cuba el derecho a cambiar de sexo - El Pais
La hija de Raúl lidera la ruptura de la homofobia oficial
MAURICIO VICENT - La Habana - 03/06/2009


Pocos días después del primer desfile contra la homofobia por las calles de La Habana, Cuba dio un paso más en la aceptación de la diversidad sexual al permitir la realización de cirugías de cambio de sexo. Este tipo de operaciones fueron suspendidas en 1988, después de una primera cirugía exitosa que convirtió en mujer a un joven y causó gran revuelo en la isla. Según datos del Centro Nacional de Educación Sexual (Cenesex), que dirige Mariela Castro, en Cuba hay 100 casos bajo análisis: de ellos 28 son transexuales confirmados y 19 están listos para someterse a la operación quirúrgica.

Mariela encabezó la primera marcha pública de los gays, antes perseguidos
Mariela Castro es hija del presidente cubano, Raúl Castro, y sobrina de Fidel, fundadores de una revolución que en los años sesenta internó a los homosexuales en campos de trabajo militarizados. Hasta no hace mucho, gays y lesbianas fueron perseguidos y marginados, por ello el liderazgo de Mariela en defensa de los derechos de las minorías sexuales es muy simbólico, además de representar una garantía.
Fue ella quien la semana pasada anunció en televisión que ya se han reanudado las "cirugías feminizantes y masculinizantes con vistas a hacer la reasignación sexual completa". Las operaciones de cambio de sexo en Cuba son gratuitas pero deben ser aprobadas por una comisión multidisciplinaria compuesta por psicólogos, médicos y diversos especialistas, que hacen un seguimiento riguroso de los solicitantes.
Tan riguroso, que el promedio de tiempo para aprobar un caso es de dos años, algo que ha provocado las quejas de algunos transexuales. "Hay momentos en que creo que vamos muy delante, y otros en que creo que vamos muy despacio", dijo Mariela Castro el pasado 16 de mayo, cuando encabezó una marcha de gays, lesbianas, travestís y transexuales por la céntrica avenida de La Rampa. Era el primer desfile de este tipo en Cuba, aunque Mariela rechazó llamarlo marcha; mejor una "conga" criolla, dijo.
Marcha o conga, muchos habaneros se sorprendieron al ver tal desfile libertario en las mismas calles del Vedado donde hasta hace poco la policía se llevaba detenidos a los homosexuales. Cuba sigue siendo muy machista y no son pocos los que se oponen frontalmente a cualquier avance de las minorías sexuales. La Iglesia católica, por supuesto, puso el grito en el cielo con lo de las operaciones: "Cuba ha tocado fondo", dijo el arzobispado de La Habana. También en el Partido Comunista hay críticos feroces, admite Mariela Castro.